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sábado, 6 de dezembro de 2008

Limoncello


Limoncello



Limoncello é um licor de limão produzido originalmente no sul da Itália, especialmente na região do golfo de Nápoles, na costa Amalfitana e nas ilhas de Ischia e Capri, havendo também produção na Sícilia e na Sardenha. É feito à base de limão, álcool, água e açúcar; deve ser mantido no congelador e, conseqüentemente, bebido bem gelado.


O limoncello é apreciado pela cantora canadense Avril Lavigne, que escreveu, na música "I Can do Better" de seu mais recente álbum, "The Best Damn Thing", "I will drink as much Limoncello as I can and I'll dp it again and again and...", o que significa "Eu vou beber o quanto de Limoncello eu quiser de novo e de novo e...".


No Brasil é produzido na cidade gaúcha de Xangri-lá e é denominado de "Citroncello Positano". É fabricado a partir da excelência do limão siciliano, em processo artesanal de infusão de suas cascas em álcool de cereais.


Também é produzido na cidade paranaense de São José dos Pinhais um licor denominado "Limãogelo" que tem clara inspiração no Limoncello, tanto no nome quanto no seu conteúdo.


Receita:


1 litro de álcool de cereais ou vodka não aromatizada

1 litro água

15 limões sicilianos

500g de açucar


Lave os limões. Seque. Descasque-os sem atingir a parte branca.Ponha uma parte do álcool e os limões num vidro. Tampe. Guarde no escuro por 72 horas. Ferva a água com o acúcar por 1/2 hora. Deixe esfriar. Junte a mistura de álcool e limões. Misture bem. Coe o líquido em filtro de papel, desprezando os limões. Ponha o restante do álcool. Tampe de novo. Reserve por 36 horas em local escuro. Coe várias vezes. Ponha em licoreira. Guarde durante uma semana. Sirva bem gelado.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Palazzo Reale di Napoli



Palazzo Reale di Napoli


O Palazzo Reale di Napoli (Palácio Real de Nápoles) é um dos quatro palácios que serviram de residência aos reis de Nápoles e Sicília durante o seu reinado no Reino das Duas Sicílias (1730-1860); os outros palácios são o Reggia di Caserta, o Reggia di Capodimonte e o Reggia di Portici.

História
O edifício, que se situa em Nápoles, na actual Piazza del Plebiscito (Praça do Plebiscito), foi construído em 1600 por Domenico Fontana[1], sob encomenda do vice-rei espanhol de então, o Conde de Lemos. Este deveria hospedar o rei Filipe III de Espanha, esperado em Nápoles com a sua consorte para uma visita oficial que nunca aconteceu. O palácio tornou-se sucessivamente residência do vice-rei espanhol, do vice-rei austríaco e, finalmente, dos reis da Casa de Bourbon.
A residência real foi mudada para Caserta no século XVIII, uma vez que esta cidade, afastada do litoral, era mais defensável do assalto naval do que Nápoles.
No periodo compreendido entre 1806 e 1815 foi enriquecido por Gioacchino Murat e Carolina Bonaparte com decorações e adornos neoclássicos provenientes do Palácio das Tulherias. Em 1837 foi danificado por um incêndio e posteriormente restaurado entre 1838 e 1858 pela mão de Gaetano Genovese, o qual ampliou e regularizou, sem distorções, a antiga construção. Naquela época foram acrescentadas à estrutura a Ala das Festas e uma nova fachada voltada para o mar, caracterizada por uma base rusticada e por uma torre-belvedere. No ângulo com o Teatro San Carlo foi criada uma pequena fachada no lugar do palácio velho de dom Pedro de Toledo.
Depois do Risorgimento foi eleita residência napolitana dos soberanos da Casa de Sabóia. Em 1888, por vontade de Humberto I, os nichos externos foram ocupados por gigantescas estátuas dos Reis da Sicília e Nápoles: Rogério II da Sicília, Frederico II da Suábia, Carlos I de Anjou, Afonso V de Aragão, Carlos V de Habsburgo, Carlos III de Bourbon, Joachim Murat, e Vítor Emanuel II de Sabóia, primeiro rei de Itália unida.
Em 1922 foi decidido (por Decreto do Ministro Anile) transferir a Biblioteca Nacional Vitor Emanuel III (actualmente no edifício do Museu Arqueológico Nacional de Nápoles) para o Palazzo Reale di Napoli; a transferência dos livros foi efectuada em 1925.
Os bombardeamentos súbitos ocorridos durante a Segunda Guerra Mundial e a ocupação militar que se seguiu causaram danos gravíssimos ao palácio, as quais justificaram um restauro a cargo da Superintendência dos Monumentos.

Arquitectura
A fachada possui uma base rusticada com duas ordens de janelas ao longo de 169 metros. No seu centro são visíveis os brasões reais e vice-reais. A fachada conserva a forma clássica original, com excepção do pórtico, onde na segunda metade do século XVIII, por obra de Luigi Vanvitelli, foram fechados alternadamente os arcos para aumentar a solidez do edifício, dando vida a arcadas fechadas em nichos. Em seguida, com os restauros do século XIX, foram acrescentadas arcadas fechadas em ambas as extremidades da fachada, cobertas por um terraço. Nestes nichos foram instaladas estátuas de oito reis de Nápoles, cujos bustos são reproduzidos abaixo.
Entrando no palácio, acede-se ao Pátio de Honra, o qual conserva a marca arquitectónica de Fontana. Em frente fica uma fonte oitocentista com a estátua da "Fortuna". À esquerda ficam os Jardins e à direita encontram-se o Pátio das Carruagens e o Pátio do Belvedere.
Acede-se ao Apartamento histórico pela monumental e luminosa Escadaria de Honra (Scalone d'onore), a qual foi projectada em 1651 por Francesco Antonio Picchiatti e decorada, de seguida, por Gaetano Genovese entre 1838 e 1858. A Escadaria foi decorada em mármore branco e rosado, com troféus militares e baixos relevos alegóricos. É digna de nota a rica balaustrada de mármore perfurado. Na zona superior encontram-se estátuas monumentais em gesso, as quais representam a Força, a Justiça, a Clemência e a Prudência. No final da Escadaria acede-se ao luminosíssimo Ambulacro, circundado por vitrais oitocentista. Elegantes estuques decoram as abóbadas do vestíbulo.

Apartamento Real
O Apartamento Real foi destinado a museu, a partir de 1919, com o nome de Apartamento Histórico (Appartamento Storico). Durante a visita podem admirar-se as salas Reais de aparato no andar nobre, as quais não sofreram qualquer alteração. Na década de 1970, algumas salas foram adaptadas a galeria de obras de arte e ordenadas com base em critérios temáticos e historico-estilísticos.
As salas e as mobílias usadas mais quotidianamente não estão juntas devido aos graves danos e ao saque ocorrido no palácio durante a Segunda Guerra Mundial. A guerra também danificou as vestes bourbónicas, refeitos na segunda metade do século XX nos mesmos teares antigos da Sedaria Bourbónica da Fábrica de San Leucio, próximo de Caserta.
Os testemunhos mais importantes da decoração seicentista de origem são os afrescos de conteúdo histórico e de gosto tardo-maneirista que decoram as salas mais antigas com ciclos de pintura destinados a exaltar a glória e a fortuna dos espanhóis vencedores.

Sala I: Teatro da Corte
Esta sala foi organizada por Ferdinando Fuga em 1768. Embora tenha sido muito danificada durante a Segunda Guerra Mundial (a abóbada é de meados do século XX), conserva as doze estátuas de papel machê originais, obra do escultor Angelo Viva, as quais representam Apolo, Minerva, Mercúrio e as nove Musas. Este Teatro acolheu representações de obras de Paisiello e Cimarosa. Chega-se à sala seguinte através de duas entre outras cinquenta portas em madeira pintadas sobre fundo de ouro, obra de um decorador desconhecido que viveu entre o século XVIII e o século XIX, decoradas com elegantes motivos fantásticos, vegetais e animais, de gosto Pompeiano.

Sala II: Sala Diplomática
Na segunda sala, denominada também de Antecâmara de Sua Majestade (Anticamera di Sua Maestà), reunia-se o séquito das delegações diplomáticas recebidas na Sala do Trono. Sobre a abóbada encontra-se a pintura de Francesco De Mura que representa "A alegoria da virtude de Carlos de Bourbon e Maria Amália da Saxónia". A sala, coberta com lampasso (tecido antigo, frequentemente enriquecido com tramas de ouro e prata) encarnado, está enriquecida com majestosos móveis neo-barrocos, enquanto que nas paredes se encontram duas tapeçarias Gobelins da série de alegorias dos elementos: o Fogo e o Ar. Foram tecidas por Louis La Tour sobre cartões de Charles Lebrun, destinadas à celebração do poder do Rei Luís XIV de França.

Sala III: Saleta Neoclássica
Ao centro desta sala existe uma Ninfa alada da autoria de De Crescenzo. Nas paredes encontram-se dois importantes registos respeitantes ao Palácio Real, a Escadaria, de Antonio Dominici, e a Capela Real, de Elia Interguglielmi, representadas por ocasião dos casamentos por procuração das princesas Maria Teresa e Maria Luisa de Bourbon com os primos austríacos Francisco II de Habsburgo e Fernando III de Lorena, ocorridos em 1790.

Sala IV, ou Segunda Antecâmara de Sua Majestade: Esplendor de Afonso o Magnânimo
Belisario Corenzio, ajudado por colaboradores da sua oficina, pintou na abóbada da Segunda Antecâmara um afresco que representa o Esplendor de Afonso o Magnânimo, fundador do reino aragonês de Nápoles. As várias secções, todas com uma legenda em espanhol, representam: ao centro, Investidura Real de Afonso; seguindo-se no sentido dos ponteiros do relógio, Afonso de Aragão entra em Nápoles; Cura para as artes e as letras; Submissão da cidade de Génova; Entrega a Afonso da Ordem do Tosão de Ouro. Nas paredes encontram-se duas pinturas de Massimo Stanzione, sendo uma delas "São Pedro consagra Sant'Aspreno como primeiro Bispo de Nápoles".

Sala V: Terceira Antecâmara
Sobre a parede central da sala, uma tapeçaria com o Rapto de Proserpina, de Pietro Duranti, testemunha a actividade da Real Tapeçaria de Nápoles.
O tecto, de 1818, é da autoria de Giuseppe Cammarano e representa Pallade entronizando a Fidelidade.

Sala VI: Sala do Trono
A Sala do Trono é o lugar da autoridade, no qual o Rei recebia todos os seus hóspedes. O trono de madeira dourada, com os leões de estilo Império sobre os braços, pode ser datado por volta de 1850, enquanto que o baldaquino é originário do século XVIII. Nas paredes estão retratadas personagens realmente existentes entre o século XVII e o século XIX, entre as quais se encontra Fernando I, pintado por Vincenzo Camuccini. No tecto, de 1818, encontram-se personificações das catorze províncias do Reino das Duas Sicílias com brasões heráldicos e insígnias do reino.

Sala VII
Na Sala VII encontra-se um ciclo de pinturas que representa a História bíblica de Judite, de Tommaso de Vivo.

Sala VIII: Salão dos Embaixadores
A antiga galeria tem origem no terceiro decénio do século XVII. A abóbada conserva um dos afrescos mais antigos do palácio, o esplendor da Casa de Espanha em catorze quadros, obra de Belisario Corenzio, Onofrio e Andrea de Lione. O ciclo de Maria Anna de Áustria (1634-1696), do quinto decénio do século XVII, apresenta nos ângulos o brasão dos Habsburgo, obra de Massimo Stanzione.

Sala IX: Sala de Maria Cristina de Sabóia
Esta sala, que anteriormente era denominada Sala dos Ministros, foi mais tarde rebaptizada em homenagem à rainha de Nápoles Maria Cristina de Sabóia, primeira esposa de Fernando II, a qual morreu em 1836 depois de ter dado à luz o futuro rei Francisco II e proclamada beata pela sua grande virtude cristã.
Entre as pinturas encontram-se O massacre dos inocentes, de Andrea Vaccaro, e Caminho do Calvário, atribuída a Decio Tramontano. Dois grandes vasos de Sévres, de 1820, representam "as Estações".

Sala X
A Sala X é o oratório privado da rainha Maria Cristina de Sabóia e, nas paredes, apresenta a "História do Nascimento de Cristo", de Francesco Liani.
Desta sala acede-se ao "Jardim Pênsil", chamado antes de "Loggia" ou "Belvedere", o qual foi edificado na segunda metade do século XVII. Este jardim apresenta-se, actualmente, no arranjo oitocentista efectuado pelo arquitecto Genovese, decorado com fontes, árvores floridas e, ao centro, uma mesa de mármore e bancos neoclássicos. Primeiro Carlos e depois Fernando de Bourbon tiveram lá o seu quarto, o qual avançava sobre o jardim.
No século XIX, o acesso directo ao jardim também era possível a partir da actual Sala XX mediante uma ponte em ferro forjado, mais tarde destruída pelos bombardeamentos da Segunda Guerra Mundial.
A partir do Jardim Pênsil é possível gozar uma das mais belas vistas sobre o Golfo de Nápoles, do Vesúvio à Península Sorrentina até Capri.

Sala XI: Sala do Grande Capitão
O teto desta sala representa um dos testemunhos mais preciosos que restaram da primitiva decoração seiscentista do palácio. Foi pintado por Battistello Caracciolo na segunda metade do século XVII e representa "A conquista do Reino de Nápoles", ocorrida em 1502, por Gonzalo Fernández de Córdoba, primeiro vice-rei espanhol de Nápoles, chamado de "Grande Capitão".

Sala XII: Sala dos Flamengos
Esta sala recebeu este nome devido aos retratos holandeses do século XVII provenientes da Galeria Real de um palácio em Chiaia e comprados em Roma por Fernando IV de Bourbon em 1802. Sobre a consola mural está colocado um raríssimo relógio de Charles Clay, proveniente de Londres e datado de 1730, com carrilhão e figuras móveis. Ao centro da sala existe uma floreira com uma gaiola para aves, atribuida à Manufactura Popov de Gorbunovo, próximo de Moscovo, oferecida pelo czar Nicolau I da Rússia a Fernando II por ocasião da sua viagem a Nápoles em 1846. O tecto carrega brasões das províncias do Reino e um afresco de G. Maldarelli: "A Magnanimidade de Tancredo d'Altavilla para com Constança de Aragão sua prisioneira".

Sala XIII: Estúdio do Rei
O Estúdio do Rei é da época de Joaquim Murat. Os móveis de estilo Império foram fabricados em Paris entre 1809 e 1811, pelo ebanista Adam Weisweiler. Nas paredes encontram-se paisagens napolitanas da Escola de Posillipo. Na abóbada pode ver-se uma têmpera sobre estuque de G. Cammarano (1840): "Afonso da Calábria liberta Otranto dos turcos".

Sala XIV: Sala do Século XVII Napolitano
Esta sala, antes pertencente à rainha, é a primeira de uma série de salas decoradas no século XVIII para formar o apartamento de Maria Amália da Saxónia, esposa de Carlos III de Bourbon; nesta sala estão expostas pinturas do século XVII Napolitano. De Andrea Vaccaro são: "A fábula de Orfeo que encanta os animais" e "O encontro de Raquel e Jacó".
Um monumento de extraordinária importância no âmbito da história e da pintura é a tela de Luca Giordano: "São Januário invoca o fim da Peste em Nápoles". Extraordinário é, também, o tecto, com uma particular decoração de "ramagens" de estuque branco e ouro datada do século XVIII. Ao centro está uma escrivaninha com pedra dura empregue sobre um fundo de pórfiro da Oficina das Pedras Duras de Florença, oferta do Grão-Duque da Toscânia Leopoldo II a Fernando I.

Sala XV: Sala da Pintura de Paisagens
Nesta sala estão pintadas paisagens do século XVI ao século XIX; ao centro encontra-se uma escrivaninha com o tampo em mármore, oferecida pelo barão Manganelli a Fernando II de Bourbon em 1830. O tecto e o espelho remontam ao tempo de Carlos de Bourbon. Nesta sala encontra-se a obra de A. De Aloysio intitulada "Colocação da primeira pedra da Igreja de São Francisco de Paula", de 1817.

Sala XVI: Sala de Luca Giordano
O refinado tecto com estuques branco-ouro é do tempo de Carlos de Bourbon; os móveis são de estilo neo-rococó e de manufactura napolitana. Entre as pinturas encontra-se a representação de uma série de batalhas inspiradas na antiguidade, obra de Luca Giordano, na sua fase barroca, inspirado em Pietro da Cortona.

Sala XVII: Sala da Pintura do Século XVII
Desta sala acedia-se, no século XVII, à Sala do Vice-Rei (actual Sala XXII). Entre as pinturas que representam o desenvolvimento meridional e romano da pintura seiscentista encontra-se o famoso Regresso do filho pródigo, de Mattia Preti, e o Cristo entre os doutores, de Giovanni Antonio Galli dito "Lo Spadarino".

Sala XVIII: Sala da Pintura Emiliana
Nesta sala estão reunidas pinturas seiscentistas da região emiliana provenientes da colecção Farnese, a qual foi herdada por Carlos de Bourbon e trasportada para Nápoles. Encontram-se presentes nesta sala as obras, de 1613, A Sagrada Família na oficina de São José e Doação de Santa Isabel, de Bartolomeo Schedoni, e O Sonho de São José, de Guercino.

Sala XIX: Sala da Natureza Morta
É possível admirar nesta sala numerosos exemplos de naturezas mortas seiscentistas e setecentistas, um género que, em Nápoles, teve grande fortuna, sobretudo no século XVII, no rasto da tradição flamenga.

Sala XX: Sala Neoclássica
Antiga Sala das Colunas, é caracterizada pelo gosto neoclássico, tanto no ambiente como nas obras expostas. Nas paredes encontram-se registos de Tischbein inspirados nos vasos gregos de Lord Hamilton. Ao centro da sala encontra-se uma escrivaninha de bronze coberto e decorado com mármore, que tomam a forma de objectos provenientes das escavações de Pompeia.

Sala XXI: (antiga Sala das Pilastras)
É notável uma mesa de centro da época napoleónica.

Sala XXII: Salão de Hércules
O salão, antiga Sala do Vice_Rei, costruído em meados do século XVII, acolhe uma série de retratos dos vice-reis. Actualmente apresenta tapeçarias da série de Cupido e Psiquê, da Real Fábrica de Nápoles, tecidas por Pietro Duranti, sobre cartões de Fedele e Alessandro Fischetti, entretra 1783 e 1789. A organização remonta a meados do século passado, quando adquiriu a função setecentista de salão de baile. Também é digno de nota o relógio do parisiense Thuret, activo na primeira metade do século XVIII, o qual representa Atlante que rege o mundo.

Sala XXIII
Nas paredes encontram-se algumas pinturas de Francesco Celebrano, as quais representam "As Estações", destinadas a um lugar campestre da Realeza Bourbónica, talvez Carditello.

Sala XXIV: Sala de Dom Quixote
Nesta sala estão expostos os esboços de pinturas realizadas por pintores napolitanos, destinados a servir de modelos para a tecelagem de uma grande série de tapeçarias da fábrica de Nápoles. Estas tapeçarias foram produzidas entre 1758 e 1779
e, actualmente, encontram-se no Palazzo del Quirinale, em Roma. O tema reproduzido é o das aventuras de Dom Quixote.

Sala XXV: Sala da Pintura de Paisagens Napolitanas do Século XIX
Nesta sala estão conservadas algumas pinturas de Pasquale Mattei representando as festas do Reino: A festa de Santa Rosália em Palermo, de 1855, A feira de São Januário em Abruzzo, de 1851, A procissão do Corpus Christi em Monte Cassino, de 1858,e A procissão ao Santuário da Senhora do poço em Capruso próximo de Bari, de 1853.
Da autoria de Salvatore Fergola encontram-se presentes algumas paisagens: A floresta ao crepúsculo e Os náufragos ao luar.

Salas XXVI, XXVII e XXVIII: Afrescos de Domenico Antonio Vaccaro
Nesta sala encontram-se vários afrescos da autoria de Domenico Antonio Vaccaro, entre as quais se destacam: A alegoria da união matrimonial e A alegoria da Majestade Régia, os quais decoram os degraus ao lado da alcova da rainha Maria Amália da Saxónia.

Sala XXIX: Sala do Corpo da Guarda
Nesta sala encontram-se tapeçarias da manufactura napolitana: O Ar, A Terra e A Água, realizadas depois de a maquinaria e os tecelões da tapeçaria Grã-ducal de Florença, então fechada, terem sido transferidos para Nápoles para dar vida à Real Fábrica Bourbónica.

Sala XXX: Capela Real
A Capela Real, dedicada à Assunção de Maria, foi construída em meados do século XVII segundo um desenho de Cosimo Fanzago, tendo estado no centro da vida musical napolitana entre os séculos XVII e XVIII. Durante o restauro efectuado na primeira metade do século XIX por António de Simone e Gaetano Genovese, a original disposição barroca permaneceu inalterada, mas o aparato decorativo foi modificado radicalmente. São de Cammarano os caixotões em madeira na abside, com pinturas representando O Pai Eterno entre Jesús Cristo, a Virgem e os Evangelhos, os anjos e querubins, inspirado na arte bizantina, juntamente com as alegorias da Fé, da Esperança, da Religião e da Caridade, e os Anjos festejando com ramos de oliveira e palmeira na faixa em mármore fingido. Deve-se ao arquitecto António de Simone a cenográfica estrutura em madeira pintada em mármore fingido que transformou toda a parte da abside. No entanto, o fulcro da Capela é seguramente o altar barroco de Dionisio Lazzari, realizado em 1674
para a Igreja de Santa Teresa dos Descalços e trasportado para a Capela Real por Joaquim Murat. O altar é, de facto, uma preciosa obra em bronze dourado, pedra dura, ágata, lápis-lazúli, ónix, jaspe e ametista. A Capela foi danificada por uma bomba em 1943 e ainda está em restauro, embora conserve obras relevantes e actualmente esteja adaptada a museu; estão ali expostos o precioso Presépio do Banco de Nápoles, um Cristo Ressuscitado em bronze dourado atribuido a Vinaccia, São Miguel que abate os demónios de autor desconhecido oriundo de Trapani, dois baixos-relevos em bronze e ágata de Francesco Righetti representando Fernando de Castela e Francisco de Paula e, por fim, uma casula em seda branca e rosa oferecida por Fernando de Bourbon e carregando as suas iniciais.

Os Jardins Reais
A área dos jardins já estava coberta de verde desde o século XIII, na época da Dinastia Angevina. No período de domínio dos vice-reis foi organizada como parque e enriquecida com estátuas, alamedas e "jardins secretos".
Em meados do século XIX, o arquitecto Gaetano Genovese conduziu os trabalhos de ampliação e restauro do palácio, tendo confiado os jardins aos cuidados do botânico Federico Corrado Denhart, o qual inseriu numerosas magnólias, azinheiras e plantas raras, entre as quais se encontram a Persea Indica, a Strelitzia Niccolai e a Cycas Revoluta. Foi deste modo que o jardim adquiriu o seu novo aspecto "à inglesa" e se tornou num destino ao alcance dos visitantes. Às transformações oitocentistas também se deve a inserção de um gradeamento de ferro com lanças de pontas douradas, a qual dá acesso a uma alameda delimitada por estátuas dos Palafreneiros, oferecidas pelo czar Nicolau I da Rússia e mais conhecidas pelo nome de Cavalos de Bronze, e também a um outro jardim de pequenas dimensões: O Jardim d'Itália, no lado da Piazza Trieste e Trento, o qual foi decorado com camélias e "palmeiras de São Pedro", apresentando ao centro A Itália, escultura marmórea de Francesco Liberti. Ao fundo do jardim encontram-se as cavalariças oitocentistas, ladeadas por manejos da década de 1880 e destinados ao uso expositivo.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Museu Arqueológico Nacional de Nápoles

Museu Arqueológico Nacional de Nápoles

Entrada do Museu
O Museu Arqueológico Nacional é um museu de Nápoles que abriga uma extensa coleção de arte da Antigüidade. É o sucessor direto do antigo Museu Real Bourbon, um dos mais antigos e importantes da Europa.
Está instalado em um edifício histórico, inaugurado em 1615 como o Palácio dos Estudos Reais, sede da Universidade de Nápoles. Com a mudança da Universidade em 1777o Rei Fernando IV encarregou o arquiteto Ferdinando Fuga para adaptar o edifício para abrigar o Museu Bourbon e a Real Biblioteca, incluindo a construção de um piso adicional nas alas laterais.
No final do século a coleção foi grandemente ampliada com a transferência da Coleção Farnese do Museu de Capodimonte e de várias residências reais, seguida dos achados arqueológicos de Pompéia, Herculano e Stabiae. Durante o século XIX o museu continuou recebendo material novo, tanto de colecionadores privados como de escavações no sul da Itália. Com a Unificação Italiana a instituição passou ao controle estatal e foi renomeada como Museu Nacional. Em 1925 a Biblioteca foi transferida para outro local, e em 1957 foi a vez das pinturas, que se tornaram o núcleo do Museu Nacional de Capodimonte, restando em sua coleção somente a seção arqueológica.
Atualmente o prédio passa por um processo de extensivo restauro, e está programada uma completa reestruturação das salas de exposição e da museografia.

Coleção Egípcia
Composta basicamente de duas coleções privadas, Borgia (século XVIII) e Picchianti (século XIX), e inclui peças autênticas e muitos artefatos pseudo-egípcios provenientes de Pompéia e de outras cidades da Campânia. As peças egípcias datam desde o Reino Antigo (2.700 - 2.200 a.C.) até a era Ptolemaica.

Epígrafes
Com importantes inscrições gregas, oscas, etruscas e latinas de Roma, Magna Grécia e Campânia, sendo de interesse especial as inscrições jurídicas e as tabuletas de Heracléia.

O Gabinete Secreto
Criado em 1817 como Gabinete de Objetos Obscenos, para coletar uma multiplicidade de peças que só podiam ser conhecidas através de autorização especial do Ministério, e desde que o solicitante fosse do sexo masculino. Em meados de 1850 o Gabinete foi fechado à visitação, mas foi reaberto após a Unificação, quando a coleção foi publicada em catálogo em 1866. No final do século este acervo foi disperso, mas desde então tem sido reconstituído e ampliado, e futuramente deve ser novamente exposto.

Sala do Meridiano
Originalmente ocupada pela Real Biblioteca, esta sala foi decorada com afrescos de Pietro Bardellino no teto, mostrando A Virtude coroando Ferdinando e Maria Carolina. As paredes receberam 18 telas de Giovan Evangelista Draghi ilustrando a atuação de Alessandro Farnese nos Países Baixos. Recentemente a sala recebeu um grupo de pinturas da escola napolitana da primeira metade do século XIX. O meridiano instalado no piso data do século XVIII, quando estava sendo cogitado instalar um observatório astronômico no edifício, e é uma peça notável pela beleza do desenho dos signos do Zodíaco.

A batalha de Issus, mosaico
Esta seção é formada por fragmentos de decoração de pisos e paredes de Herculano, Pompéia e Stabiae, com emblemas, cenas e figuras de inspiração grega. São importantes as cenas de autoria de Dioscórides de Samos e os mosaicos da Casa do Fauno de Pompéia, com uma famosa cena da Batalha de Issus, entre Alexandre Magno e as tropas de Dario, além de itens na rara técnica de opus sectilium, uma composição com mármores de várias cores.

Numismática
O museu possui uma extensa e preciosa coleção de moedas e medalhas, em sua maior parte integrantes da Coleção Farnese, com cerca de duzentos mil itens, que vão desde as mais antigas cunhagens da Grécia até o fim do Império Romano, e outra seção compreende a Idade Média até a era Bourbon.

Perseu e Andrômeda, afresco pompeano da Casa dos Dióscuros
Embora com reduzido número de exemplares, removidos de casas daquela cidade, é de grande importância por apresentar um rico panorama da pintura decorativa romana dentre os séculos II a.C. e I d.C., a qual é sucessora direta da pintura grega, hoje praticamente toda desaparecida. As peças mostram temas mitológicos, literários, naturezas-mortas, paisagens, retratos e cenas da vida diária e das cerimônias religiosas relativas aos lares e penates, além de alguns exemplares com motivos arquiteturais.

As jóias Farnese
A coleção Farnese de gemas gravadas foi originada com a coleção reunida por Cosimo de' Medici e Lorenzo, o Magnífico durante o século XV, e ampliada mais tarde pela família Farnese. Entre suas atrações está a Taça Farnese, um dos maiores camafeus do mundo, feito de uma peça de sardônica proveniente da corte dos Ptolomeus.

Pré-história
Nesta seção são exibidos artefatos do Paleolítico até a Idade do Bronze provenientes de diversos locais na Itália.

Dionísio e Ariadne, painel em vidro, Pompéia
Na prataria se encontra uma notável reunião de peças encontradas na Casa de Menandro em Pompéia, única por sua variedade e qualidade da artesania. Os marfins incluem peças de jogos, objetos de uso diário, ornamentos e peças de toucador. Nos vidros se destacam dois painéis com representações de Dionísio e o famoso Vaso Azul, todos de Pompéia. Por fim, as terracotas mostram lâmpadas, vasilhas de cozinha e vasos ornamentais.

Culturas gregas da Baía de Nápoles
Apresentando os achados relativos às civilizações que floresceram na Baía de Nápoles e arredores no período da colonização grega desde o século VIII a.C., do assentamento de Pithekoussai em Ísquia, até a sofisticada cultura helenística tipificada pela Villa dei Papyri em Herculano, origem das cidades gregas de Cumae e Neapolis, que continuaram a prosperar até os dias de hoje como a moderna Nápoles. As peças mais importantes desta seção são a reconstituição de uma casa grega da Punta Chiarito (séculos VIII-VII a.C.), achados da Villa dei Papyri (século I), e itens provenientes de grandes escavações empreendidas no século XVIII, com estatuária em bronze e mármore, e cerca de 2 mil rolos de papiro. Futuramente serão mostrados objetos originários de Cumae e da antiga Neapolis que ora estão em depósito.

Atlas
Esta seção é particularmente rica em obras gregas e romanas, de várias procedências, muitas delas também originalmente na Coleção Farnese, o que serve como precioso testemunho do colecionismo renascentista. Possui esculturas honorárias de Pompéia e Herculano, bustos e retratos gregos e romanos, obras originais da Grécia antiga desde o Período Severo até o Helenismo e uma série ainda mais extensa de cópias romanas.

Magna Grécia
Com grande número de objetos encontrados na região da Magna Grécia entre 1700 e 1800, além de importantes acréscimos de coleções privadas, com terracotas, vasos, pinturas funerárias, joalheria, moedas e uma diversidade de outros materiais provenientes de Paestum, Metaponto, Locri, Ruvo e Canosa.

Povos Etruscos e Italiotas na Campânia
Ainda esperando reorganização dos seus espaços, esta coleção compreende objetos de povoamentos etruscos e italiotas na região da Campânia (Nola, Santa Maria Capua Vetere, Calvi, Sant'Agata dei Goti, Alife e Teano), mostrando especialmente a influência grega.

Templo de Ísis em Pompéia
Aqui se mostram as pinturas murais removidas do Templo de Ísis em Pompéia, realizadas num estilo helenístico de tradição romana mas com muitas características egípcias, além de esculturas, inscrições e objetos de culto.

Modelo de Pompéia
Um grande modelo da cidade em seu apogeu, construído em madeira, cortiça e papel, constituindo um precioso testemunho da erudição acadêmica do século XIX, com grande minúcia de detalhes e mostrando testemunhos únicos de diversos elementos decorativos encontrados nas escavações da cidade, como mosaicos e pinturas, que mais tarde foram destruídos.

Arenas e Banhos
Um espaço destinado à apresentação de armaduras de gladiadores, afrescos e objetos de casas de banho de Pompéia.

Serviços
Além de suas coleções permanentes o museu oferece uma série de programas educativos e didáticos relativos às coleções do museu e de sítios arqueológicos mantidos pela Soprintendenza per i Beni Archeologici di Napoli e Caserta. Oferece ainda consultorias especializadas, e organiza cursos e palestras.
O museu possui uma biblioteca especializada em Arqueologia, com muitas obras raras datando do século XV em diante, além de periódicos e outras publicações.




Nápoles


Nápoles

Nápoles (Napoli em italiano; Napule en Napolitano) é uma comuna italiana do sul de Itália, da região da Campania, província de Nápoles, com cerca de 1.000.000 habitantes (cens. 2001) e com cerca de 4.400.000 habitantes na região metropolitana (que compreende áreas na província de Caserta, Avellino e Salerno. Nápoles é a terceira cidade mais populosa da Itália após Roma e Milão e tem a segunda maior região metropolitana após a de Milão. Estende-se por uma área de 117 km2, de densidade populacional 8.490 h/km2. É conhecida mundialmente pela sua história e por ser a terra natal da pizza.

Tem origem na antiga cidade grega de Neapolis. Foi conquistada pelos romanos no século IV a.C. No século VI passou para domínio bizantino e no século VIII constituiu-se em ducado independente. Em 1139 passou a pertencer ao reino da Sicilia. A universidade foi fundada em 1224 e passou a ser, no final do século XIII, a capital do reino. Em 1282 passou para a coroa de Aragão, sendo denominado reino de Nápoles. No séculoXVIII passou a ser independente, sendo anexado ao reino da Sardenha em 1860 e de Itália em 1861. Nesta Cidade Nasceram os Papas: Bonifácio V, Urbano VI, Bonifácio IX, Paulo IV, Inocêncio XII.
Nápoles é reputada como uma das cidades mais perigosas da Europa, por causa de sua elevada taxa de pobreza (32%) e a elevada taxa de criminalidade e desemprego. Todos os anos, as centenas de mortes são lamentar por causa das guerras de clãs dentro da máfia local, la Camorra..

Em 2008, o filme italiano "Gomorra" de Matteo Garrone, relata os graves problemas da cidade, causados pela máfia - a elevada taxa de criminalidade, em grande parte resultante da guerra entre clãs; e a corrupção, muito presente dentro dos órgãos de soberania local.

Localiza-se na baía de Nápoles, no mar Tirreno. É um porto importante e o principal centro industrial e comercial do sul do país. É também um centro turístico pois nos seus subúrbios localizam-se vários locais de interesse: o vulcão do monte Vesúvio, as ruínas de Pompeia e Herculano, as ilhas de Capri e Ischia. O seu centro histórico foi declarado patrimonio mundial pela UNESCO.

Nápoles tem um clima tipicamente mediterrânico, com invernos moderados e chuvosos e verões quentes e secos, porém sempre refrescados pela brisa marítima que raramente falta no seu golfo. O sol esplende mediamente por 250 dias por ano. A classificação climática das comunas italianas insere a cidade na zona climática C. A particular conformação morfológica do território leva a que a cidade apresente diferentes microclimas, com a possibilidade de encontrar variações climatéricas significativas movimentando-se apenas de poucos quilómetros.