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quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Atire a primeira flor...
Quando tudo parecer caminhar errado, seja você a tentar o primeiro passo certo;
Se tudo parecer escuro, se nada puder ser visto, acenda você a primeira luz, traga para a treva, você primeiro, a pequena lâmpada;
Quando todos estiverem chorando, tente você o primeiro sorriso; talvez não na forma de lábios sorridentes, mas na de um coração que compreenda, de braços que confortem;
Se a vida inteira for um imenso não, não pare você na busca do primeiro sim, ao qual tudo de positivo deverá seguir-se;
Quando ninguém souber coisa alguma, e você souber um pouquinho, seja o primeiro a ensinar, começando por aprender você mesmo, corrigindo-se a si mesmo;
Quando alguém estiver angustiado à procura, consulte bem o que se passa, talvez seja em busca de você mesmo que este seu irmão esteja;
Daí, portanto, o seu deve ser o primeiro a aparecer, o primeiro a mostrar-se, primeiro que pode ser o único e, mais sério ainda, talvez o último;
Quando a terra estiver seca, que sua mão seja a primeira a regá-la; quando a flor se sufocar na urze e no espinho, que sua mão seja a primeira a separar o joio, a arrancar a praga, a afagar a pétala, a acariciar a flor; Se a porta estiver fechada, de você venha a primeira chave;
Se o vento sopra frio, que o calor de sua lareira seja a primeira proteção e primeiro abrigo.
Se o pão for apenas massa e não estiver cozido, seja você o primeiro forno para transformá-lo em alimento.
Não atire a primeira pedra em quem erra.
De acusadores o mundo está cheio; nem, por outro lado, aplauda o erro; dentro em pouco, a ovação será ensurdecedora;
Ofereça sua mão primeiro para levantar quem caiu; sua atenção primeiro para aquele que foi esquecido;
Seja você o primeiro para aquele que não tem ninguém;
Quando tudo for espinho, ATIRE A PRIMEIRA FLOR...
Seja o primeiro a mostrar que há caminho de volta, compreendendo que o perdão regenera, que a compreensão edifica, que o auxílio possibilita, que o entendimento reconstrói.
Atire você, quando tudo for pedra, a primeira e decisiva flor !
(Glácia Daibert)
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terça-feira, 24 de julho de 2012
Música em nossas vidas...
Conta-se que, um dia, ao ouvir o silvo do vento passar pelo tronco oco de uma árvore, o homem o desejou imitar. E inventou a flauta.
Tudo na natureza tem musicalidade.
O vento dedilha sons na vasta cabeleira das árvores e murmura melodias enquanto acarinha as pétalas das flores e os pequenos arbustos.
Quando se prepara a tempestade, ribombam os trovões, como o som dos tambores marcando o passo dos soldados, em batidas ritmadas e fortes.
Quando cai a chuva sobre a terra seca pela estiagem, ouve-se o burburinho de quem bebe com pressa.
Cantam os rios, as cachoeiras, ulula o mar bravio.
Tudo é som e harmonia na natureza.
Mesmo quando os elementos parecem enlouquecidos, no prenúncio da tormenta. E lembramos das poderosas harmonias do Universo, gigantesca harpa vibrando sob o pensamento de Deus, do canto dos mundos, do ritmo eterno que embala a gênese dos astros e das humanidades.
Em tudo há ritmo, harmonia, musicalidade. Em nosso corpo, bate ritmado o coração, trabalham os pulmões em ritmo próprio, escorre o sangue pelas veias e artérias.
Tudo em tempo marcado. Harmonia.
Nosso passo, nosso falar é marcado pelo ritmo. A música está na natureza e, por sermos parte integrante dela, temos música em nossa intimidade.
Somos música. Por isso é que o homem, desde o princípio, compôs melodias para deliciar as suas noites, amenizar a saudade, cantar amores, lamentar os mortos.
Também aprendeu que, através das notas musicais, podia erguer hinos de louvor ao Criador de todas as coisas. E surgiu a música mística, a música sacra, o canto gregoriano.
Entre os celtas, era considerada bem inalienável a harpa, junto ao livro e à espada. Eles viam na música o ensinamento estético por excelência, o meio mais seguro de elevar o pensamento às alturas sublimes.
Os cristãos primitivos, ao marcharem para o martírio, o faziam entre hinos ao Senhor.
Verdadeiras preces que os conduziam ao êxtase e os fortaleciam para enfrentar o fogo, as feras, a morte, sem temor algum.
O rei de Israel, Saul, em suas crises nervosas e obsessivas, chamava o pastor Davi que, através dos sons de sua harpa, o acalmava.
A música é a mais sublime de todas as artes.
Desperta na alma impressões de arte e de beleza. Melhor do que a palavra, representa o movimento, que é uma das leis da vida. Por isso ela é a própria voz do mundo superior.
A voz humana possui entonações de uma flexibilidade e de uma variedade que a tornam superior a todos os instrumentos. Ela pode expressar os estados de espírito, todas as sensações de alegria e da dor, desde a invocação de amor até às entonações mais trágicas do desespero. É por isso que a introdução dos coros na música orquestrada e na sinfonia enriqueceu a arte de um elemento de encanto e de beleza.
É por isso que a sabedoria popular adverte: Quem canta, seus males espanta!
(Redação com trechos do livro "O espiritismo na arte" de Léon Denis)
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terça-feira, 14 de junho de 2011
A felicidade possível...

Só quem está disposto a perder tem o direito de ganhar. Só o maduro é capaz da renúncia. E só quem renuncia aceita provar o gosto da verdade, seja ela qual for.
O que está sempre por trás dos nossos dramas, desencontros e trambolhões existenciais é a representação simbólica ou alegórica do impulso do ser humano para o amadurecimento.
A forma de amadurecer é viver. Viver é seguir impulsos até perceber, sentir, saber ou intuir a tendência de equilíbrio que está na raiz deles (impulsos). A pessoa é impelida para a aventura ou peripécia, como forma de se machucar para aprender, de cair para saber levantar-se e aprender a andar. É um determinismo biológico: para amadurecer há que viver (sofrer) as machucadelas da aventura e da peripécia existencial.
A solução de toda situação de impasse só se dá quando uma das partes aceita perder ou aceita renunciar (e perder ou renunciar não é igual, mas é muito parecido; é da mesma natureza). Sem haver quem aceite perder ou renunciar, jamais haverá o encontro com a verdade de cada relação. E muitas vezes a verdade de cada relação pode estar na impossibilidade, por mais atração que exista. Como pode estar na possibilidade conflitiva, o que é sempre difícil de aceitar.
Só a renúncia no tempo certo devolve as pessoas a elas mesmas e só assim elas amadurecem e se preparam para os verdadeiros encontros do amor, da vida e da morte. Só quem está disposto a perder consegue as vitórias legítimas.
Amadurecer acaba por se relacionar com a renúncia, não no sentido restrito da palavra (renúncia como abandono), porém no lato (renúncia da onipotência e das formas possessivas do viver).
Viver é renunciar porque viver é optar e optar é renunciar.
Renunciar à onipotência e às hipóteses de felicidade completa, plenitude etc é tudo o que se aprende na vida, mas até se descobrir que a vida se constrói aos poucos, sobre os erros, sobre as renúncias, trocando o sonho e as ilusões pela construção do possível e do necessário, o ser humano muito erra e se embaraça, esbarra, agride, é agredido.
Eis a felicidade possível: compreender que construir a vida é renunciar a pedaços da felicidade para não renunciar ao sonho da felicidade.
(Artur da Távola)
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quinta-feira, 24 de março de 2011
O virtual e o real...

Estamos vivendo um período em que dois mundos se confundem: o virtual e o real.
Muitas pessoas, especialmente jovens, adolescentes e crianças, dedicam horas do seu dia no mundo virtual.
Por falta de alguém que lhes oriente ou lhes faça companhia no mundo real, buscam suprir essa carência na Internet.
Batem longos papos... virtuais. Olhos nos olhos? Não. Talvez nem se conheçam.
Trocam abraços apertados, mas não sentem o calor humano.
Enviam flores... virtuais. Sem perfume, sem textura, sem graça...
É um mundo atraente, porque oferece uma grande variedade de opções e exige esforço mínimo.
Nesse mundo, gastam horas e horas sem perceber que o tempo passou.
Sentam-se confortavelmente diante de um microcomputador e viajam pelo mundo... sem sair de casa.
Não é preciso enfrentar problemas no trânsito, nem pagar passagem, nem sofrer com a chuva, com o calor ou o frio.
Muitos entram pelas portas desse fascinante mundo virtual em plena luz do sol e só se dão conta que já raiou um novo dia quando o sono avisa que a madrugada chegou.
Nesse mundo em que amigos imaginários se encontram, pouco importa a realidade de uns e de outros.
Eles não se conhecem, ou se conhecem pouco, mas trocam inúmeras informações, nem sempre verdadeiras, pois isso não tem tanta importância.
Vivem intensamente esse mundo, onde a imaginação tem asas...
Onde se pode fazer o que se deseja sem que ninguém saiba. Conectar-se com os mais variados assuntos e obter prazeres imaginários.
Poderíamos até dizer que para alguns esse mundo virtual é mais fascinante que a realidade.
Mas será que o uso desmedido desse recurso não está nos tornando insensíveis, falsos, viciados, promíscuos?
Será que não estamos navegando em águas sombrias e perigosas?
A Internet é um avanço importante para facilitar nossa vida e abrir novas portas de comunicação e integração entre criaturas.
No entanto, não surgiu para que fechemos a porta do mundo real.
Não surgiu para que evitemos o contato físico com nossos familiares, nossos vizinhos e amigos.
O mundo virtual, por mais atraente que seja, não tem calor, nem perfume, não tem a vibração da natureza, nem o brilho do sol.
É um mundo onde tudo é válido... Mas nem tudo é verdade.
Sem o contato pessoal não se pode perceber o apoio num sorriso, a compaixão num olhar, o calor de um aperto de mão, nem a docilidade de um gesto de ternura.
Quem se isola no mundo virtual acaba perdendo a sensibilidade e desenvolvendo a indiferença diante dos acontecimentos reais.
A Internet surgiu para abrir novas possibilidades em nossas vidas, e não para que nos isolemos em casa, fugindo da realidade para viver da imaginação.
Nossa caixa de mensagens pode estar abarrotada de beijos, abraços, bom dia e boa noite, feliz aniversário e outras felicitações... Virtuais.
Isso tudo pode ser deletado com apenas um clique ou com um defeito qualquer na máquina.
Mas quando um abraço aproxima dois corações e uma voz deseja um bom dia com convicção, os registros ficam gravados na alma, onde nada, nem ninguém, pode apagar.
Por todas essas razões, abra as portas e as janelas para que o sol penetre em sua vida.
Note os vizinhos... Eles podem estar precisando de alguém que lhes diga: “olá! Tenha um bom dia!”
Ouça o choro ou a gargalhada de seus irmãos. Eles são reais e não estão no mesmo lar que você por acaso.
Não se tranque em seu mundo virtual.
Sinta o perfume das flores...
Ouça o canto dos pássaros...
Ande na areia e deixe a espuma das ondas tocar seus pés...
Vivendo intensamente o mundo real, você perceberá que o mundo virtual terá outro significado em sua vida.
Um significado mais belo e mais abrangente.
Deixará de ser fim para ser um excelente meio de progresso.
Pense nisso!
(Momento Espírita)
sexta-feira, 18 de março de 2011
Encante-se...

Você já se encantou alguma vez com coisas simples?
Com a água que cai, límpida e transparente, tocando sua pele com carinho, deixando-a aveludada e perfumada...
Com a planta de mil folhas, onde se escondem os vasos condutores da seiva, nos traços mais perfeitos...
Com o mar, na sua imensidão, suas tonalidades esverdeadas e a luz beijando a superfície no vai e vem...
Com o inseto minúsculo, camuflando o seu mini-sistema de vida, com asas desenhadas pelo Pintor perfeito...
Com o sol longínquo, a abraçar seu corpo ofertando poderosa energia em toda a extensão...
Com a inocência da criança, que acredita que o mundo já é perfeito, distribuindo o sorriso sincero e a confiança permanente...
Com a fidelidade dos animais domésticos...
Com a diversidade de raças, rostos e cores que dão vida ao planeta...
Com as cores do arco-íris que se confundem e ao mesmo tempo são distintas...
Com a risada sincera e desembaraçada que limpa a alma e o coração...
Com os alimentos, na sua multiplicidade de cores e sabores que saciam a fome e mantêm as energias das células, sustentando a vida...
Com as montanhas, em múltiplas e sucessivas camadas, sumindo no horizonte...
Com a alegria que brota dos corações, entre amigos sinceros...
Com a inteligência dos homens, que a cada segundo é superada por novas e úteis descobertas...
Com o poder do pensamento, que transforma tudo em realidade...
Enfim, você já se encantou alguma vez com coisas simples como um gesto sincero, sem disfarce?
Com o olhar seguro, sem desvio?
Com o toque suave, com energia?
Com o pensamento puro, sem hipocrisia?
Pense nisso!
As imagens impressas em calendários, cartões postais, folhetos, existem porque alguém se encantou com essas paisagens, flores, animais ou algum detalhe da natureza...
E não precisa muito esforço para perceber essas belezas singelas com que a natureza enfeita nossos caminhos diários.
Vale a pena se deixar encantar com as coisas simples que estão ao nosso redor...
Pense nisso e aproveite as oportunidades!
Encante-se com as coisas simples da vida!
quinta-feira, 17 de março de 2011
Espetáculo divino...

A madrugada despede a noite e se instala. Mas, a escuridão ainda predomina.
Os homens usam a luz artificial para espancar as trevas. São faróis de carros, para os que se deslocam a distâncias. Nas casas, são lâmpadas, velas, lampiões.
Lâmpadas nos postes auxiliam a mostrar o caminho que a cara redonda da lua, com sua luz prateada, não se mostra suficiente.
Faróis em pontos estratégicos apontam o rumo aos que navegam nas águas mansas ou agitadas dos mares.
Logo mais, os braços da madrugada se espreguiçam e pequenos raios de luminosidade tocam a manhã, para que desperte.
Finalmente, é manhã plena e, enquanto os homens correm, de um lado para outro, em função de seus estudos, de seus negócios, de suas vidas, Deus instala Seu extraordinário aparelho multimídia para a projeção do novo dia.
Em trabalho sem igual, que a cada dia não se repete da mesma forma, o Arquiteto sem par projeta na tela do Universo, os Seus slides.
Há luz, som, animação.
Os braços do salgueiro balançam, agitados pelo vento que se veste de brisa ligeira.
Jardins, montanhas, campinas. Áreas verdejantes, rios cantantes, fontes generosas se multiplicam.
A projeção é tão magnífica que o espetáculo permite se sentir o perfume da terra, das flores, dos veios da madeira aberta em sulcos.
Os raios do sol aqui lançam sombra, além se estendem, espancando nuvens.
As pequenas elevações parecem ondular na paisagem. As folhas multicoloridas do outono se misturam em um quadro, enquanto noutro as delícias da primavera explodem em botões.
Paisagens desérticas, quase intermináveis em um ponto. Dunas, oásis, palmeiras.
Paredes altas, montanhosas, de outro.
Gelo aqui, calor acolá.
Pássaros cantam, ovos são chocados, a vida se multiplica em toda parte.
E assim, durante as horas do dia, os slides irão se sucedendo um a um.
O homem passa apressado, muito poucos se dando conta dos quadros que se alternam, sucedem, de contínuo.
Quando morre a tarde e a noite retorna, como hábil artista, Deus estende um negro manto, a fim de que os astros que percorrem o Infinito, possam melhor ser percebidos.
Assim é, a cada dia, a cada noite.
Se o homem contemplasse mais a natureza, estudasse melhor as suas leis, compreendesse a harmonia que ela leciona, viveria melhor.
Quando o cansaço o tomasse, nas horas de trabalho, pararia um pouco e olharia o jardim.
Se estiver cercado por paredes de concreto de vários edifícios, poderia olhar o céu, acompanhar o passeio das nuvens e permitir-se despentear pelo vento.
Bastará colocar a cabeça para fora de uma das janelas em que esteja.
Tudo isso o revigoraria. E o faria lembrar de Quem o criou por amor e por amor o sustenta.
Dar-se-ia conta de que acima das leis humanas, uma maior, imutável e justa vigora.
Lembraria que é filho de Deus, que a vida é um tesouro muito precioso para ser desperdiçada.
E, então, aprenderia que o dia foi feito para o homem e não o homem para o dia. O que quer dizer que dosaria trabalho, lazer, meditação.
Horário para alimentar o corpo. Horário para alimentar a alma.
Sobretudo amaria intensamente aos que com ele convivem neste lar abençoado que se chama planeta Terra.
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domingo, 22 de agosto de 2010
Loucos e Santos...

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.
(Oscar Wilde)
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Carpe diem

Horácio, um dos maiores poetas da Roma Antiga, ficou famoso pelas suas Odes, longos poemas líricos, onde ele descrevia o cotidiano da vida ou passagens da mitologia romana.
Nas suas características literárias, destaca-se sempre a ideia de se aproveitar o presente, sem muita preocupação com o futuro.
Essa sua ideia atravessou o tempo através de uma expressão muito citada, encontrada em uma de suas Odes: Carpe diem.
Frequentemente tal expressão latina é traduzida como Aproveite o dia. E essa era a preocupação do poeta romano, pois imaginava ele a vida muito breve para não ser aproveitada.
Ao escutarmos o convite de Horácio, Carpe diem, nos perguntamos:
Afinal, o que é aproveitar o dia?
É certo que a resposta para tal pergunta irá depender fundamentalmente do que esperamos para a vida e para o depois da vida.
Afinal, aproveitar o dia para quê?
Para o materialista, Carpe diem será gozar ao máximo a vida, todas suas emoções e prazeres, e somente isso.
Como, no seu conceito materialista, nada o aguarda depois da morte, a vida acaba se tornando breve demais.
O materialista imagina-se constituído de um apanhado de bilhões de células ordenadas ao acaso, por um casuismo biológico e crê que nada o aguardará após a vida física se extinguir.
Assim, aproveita a vida, que se extingue minuto a minuto, nos prazeres materiais e físicos, já que se ilude que nada mais existe, além daquilo que pode enxergar.
Outros há, ainda, que vivem com a certeza de que, em uma única existência, Deus nos irá julgar, bons ou maus, e nos condenar a uma felicidade ou desdita eternas, conforme o resultado de tal julgamento.
Para esses, aproveitar a vida será sempre a contagem regressiva de um dia a menos de erro ou de tropeço.
Uma vez que seremos julgados eternamente pelo procedimento de uma única existência, quanto antes essa acabar, melhor será, pois que menos chances teremos de errar.
Imaginando que, com o resultado de uma única vida, Deus dará um veredito eterno, Carpe diem será a ansiedade de que tudo acabe, e que, ao final de tudo, não tenhamos tropeçado, pois outra chance não haverá.
Há ainda a possibilidade de imaginarmos a vida como uma continuidade de outras tantas que já se sucederam, e a antecipação de outras que virão.
Ao entendermos que a vida de hoje é o reflexo do ontem, e que o amanhã será a colheita do plantio feito hoje, aproveitar a vida toma um colorido diferente.
Já não mais a ânsia para uma vida que irá se extinguir. Tão pouco a ansiedade para uma vida que irá ser nosso veredicto.
Viveremos com a certeza de que estaremos aproveitando o dia, quando fizermos de cada um deles aprendizado para a alma, quando exercitarmos virtudes, quando nos esforçarmos para apagar defeitos.
Estaremos realmente aproveitando o dia, quando as dores que ele porventura trouxer se transformem em entendimento e lição, e as alegrias fruídas se convertam em louvores pela bênção da existência.
Todos nós deveremos aproveitar a vida, entendendo-a como uma grande escola, onde a lição maior de aprendizado será o conjugar do verbo amar.
(M.Espírita)
sexta-feira, 16 de abril de 2010

Helen Keller, cega e surda desde bebê, há setenta anos, escreveu um ensaio que a Revista Seleções publicou e diz mais ou menos assim:
Às vezes, o meu coração anseia por ver tudo aquilo que só conheço pelo tato. Se eu consigo tanto prazer com um simples toque, quanta beleza poderia ser revelada pela visão! E imaginei o que mais gostaria de ver se pudesse enxergar, digamos, por apenas três dias.
O primeiro dia seria muito ocupado. Eu reuniria todos os meus amigos queridos e olharia seus rostos por muito tempo, imprimindo em minha mente as provas exteriores da beleza que existe dentro deles.
Também fixaria os olhos no rosto de um bebê, para poder ter a visão da beleza ansiosa e inocente. E gostaria de olhar nos olhos fiéis e confiantes de meus dois cães.
À tarde, daria um longo passeio pela floresta, contagiando meus olhos com as belezas da natureza. E rezaria pela glória de um pôr de sol colorido.
Creio que nessa noite não conseguiria dormir.
No dia seguinte, eu me levantaria ao amanhecer para assistir ao empolgante milagre da noite se transformando em dia. Contemplaria, assombrada, o magnífico panorama de luz com que o sol desperta a terra adormecida.
Como gostaria de ver o desfile do progresso do homem, visitaria os museus.
Tentaria sondar a alma do homem por meio de sua arte. Veria então o que conheci pelo tato. Todo o magnífico mundo da pintura me seria apresentado.
A noite de meu segundo dia seria passada no teatro ou no cinema.
No terceiro dia, a cidade seria meu destino. Iria aos bairros pobres, às fábricas, aos parques onde as crianças brincam. Viajaria pelo mundo visitando os bairros estrangeiros.
E meus olhos estariam sempre abertos tanto para as cenas de felicidade quanto para as de tristeza, de modo que eu pudesse descobrir como as pessoas vivem e trabalham e compreendê-las melhor.
À meia-noite, uma escuridão permanente outra vez se cerraria sobre mim. Claro, nesses três curtos dias eu não teria visto tudo que queria ver.
Só quando as trevas descessem de novo é que me daria conta do quanto eu deixara de apreciar.
Pense nisso!!!
(M. Espírita)
quinta-feira, 8 de abril de 2010

Pessoas consideradas inteligentes dizem que a felicidade é uma idiotice, que pessoas felizes não se deprimem, não têm vida interior, não questionam nada, são uns bobos alegres, enfim, que a felicidade anestesia o cérebro.
Eu acho justamente o contrário: cultivar a infelicidade é que é uma burrice. O que não falta nessa vida é gente sofrendo pelos mais diversos motivos: ganham mal, não têm um amor, padecem de alguma doença, sei lá, cada um sabe o que lhe dói. Todos trazem uns machucados de estimação, você e eu inclusive. No que me diz respeito, dedico a meus machucados um bom tempo de reflexão, mas não vou fechar a cara, entornar uma garrafa de uísque e me considerar uma grande intelectual só porque reflito sobre a miséria humana. Eu reflito sobre a miséria humana e sou muito feliz, e salve a contradição.
Felicidade depende basicamente de duas coisas: sorte e escolhas bem feitas. Tem que ter a sorte de nascer numa família bacana, sorte de ter pais que incentivem a leitura e o esporte, sorte de eles poderem pagar os estudos pra você, sorte por ter saúde. Até aí, conta-se com a providência divina. O resto não é mais da conta do destino: depende das suas escolhas.
Os amigos que você faz, se optou por ser honesto ou ser malandro, se valoriza mais a grana do que a sua paz de espírito, se costuma correr atrás ou desistir dos seus projetos, se nas suas relações afetivas você prioriza a beleza ou as afinidades, se reconhece os momentos de dividir e de silenciar, se sabe a hora de trocar de emprego, se sai do país ou fica, se perdoa seu pai ou preserva a mágoa pro resto da vida, esse tipo de coisa.
A gente é a soma das nossas decisões, todo mundo sabe. Tem gente que é infeliz porque tem um câncer. E outros são infelizes porque cultivam uma preguiça existencial. Os que têm câncer não têm sorte. Mas os outros, sim, têm a sorte de optar. E estes só continuam infelizes se assim escolherem.
(Martha Medeiros)
segunda-feira, 29 de março de 2010
Use-se

No que se refere a adultos, todo mundo sabe mais ou menos onde está se metendo, ninguém é totalmente inocente.
Se nos usam, algum consentimento a gente deu, mesmo sem ter assinado procuração.
E se estamos assim tão desfrutáveis para o uso alheio, seguramente é porque estamos nos usando pouco.
Se for este o caso, seguem sugestões para usar a si mesmo: comer, beber, dormir e transar, nossas quatro necessidades básicas, sempre com segurança, mas também sem esquecer que estamos aqui para nos divertir.
Usar-se nada mais é do que reconhecer a si próprio como uma fonte de prazer. Dançar sem medo de pagar mico, dizer o que pensa mesmo que isso contrarie as verdades estabelecidas, rir sem inibição.
Dane-se se aparecer a gengiva. Mas cuide da sua gengiva, cuide dos dentes, não se negligencie.
Use seu médico, seu dentista, sua saúde.
Use-se para progredir na vida. Alguma coisa você já deve ter aprendido até aqui. Encoste-se na sua própria experiência e intuição, honre sua história de vida, seu currículo, e se ele não for tão atraente, incremente-o.
Use sua voz: marque entrevistas.
Use sua simpatia: convença os outros.
Use seus neurónios: para todo o resto.
E este coração acomodado aí no peito? Use-o, oras bolas. Não fique protegendo-se de frustrações só porque seu grande amor da adolescência não deu certo. Ou porque seu casamento até-que-a-morte-os-separe durou "apenas" 13 anos. Não enviúve de si mesmo, ninguém morreu.
Use-se para fazer amigos, use-se para evoluir. Use seus olhos para ler, chorar, reter cenas vistas e vividas.
A memória e a emoção vêm muito do olho. Use os ouvidos para escutar boa música, estímulos e o silêncio mais completo.
Use as pernas para pedalar, escalar, levantar da cama, ir aonde quiser.
Sua boca pra sorrir...
Sua barriga para gerar filhos...
Seus seios para amamentar...
Seus braços para trabalhar... Sua alma para preencher-se...
seu cérebro para não morrer em vida.
Use-se.
Se você não fizer, algum engraçadinho o fará.
(Martha Medeiros)
domingo, 21 de março de 2010

Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de beleza rara.
O barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor.
Não demora muito e só podemos contemplar um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu se encontram.
Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamará: “já se foi”.
Terá sumido? Evaporado?
Não, certamente. Apenas o perdemos de vista.
O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava próximo de nós.
Continua tão capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas.
O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver. Mas ele continua o mesmo.
E talvez, no exato instante em que alguém diz: já se foi”, haverá outras vozes, mais além, a afirmar: “lá vem o veleiro”.
A vida é feita de partidas e chegadas. De idas e vindas.
Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros é a chegada.
Pense nisso!!!
quarta-feira, 17 de março de 2010
Porque eu sou inteira outono!

Primavera, Verão, Inverno gosto de todas essas estações, mas a que mais me fascina e me faz renascer com dias de céu azul, brisa geladinha, sol que aquece, entardecer alaranjado e noites mais estreladas do que nunca! Esse é o MEU OUTONO!
Você deve estar se perguntando “Mas OUTONO? A estação onde não se é nem frio e nem calor, onde árvores, flores e pastagens secam e suas folhas caem, onde não se ouve o canto dos pássaros? Como renascer quando tudo, teoricamente, está morrendo?”.
É justamente no OUTONO que toda a natureza se desfaz de tudo aquilo que não lhe serve mais, de tudo aquilo que um dia já lhe deu vida, beleza, frutos e flores, mas que hoje não lhe são suficientes para continuar e que ficaram na memória como lembranças boas e algumas nem tão boas assim, para dar lugar ao novo, ao desconhecido, a uma nova vida na primavera.
Eu nasci numa manhã de outono e assim como ele me desfaço daquilo que não me serve mais, guardo na lembrança, as coisas boas e as não tão boas assim, e dou lugar aos novos planos, novas pessoas, novas folhas, flores e beleza na minha vida.
É nessa estação que me pego olhando para o céu com aquela brisa batendo no rosto e vendo minha vida passar na minha frente como se fosse um filme, avaliando tudo colocando na balança pra ver se valeu a pena ou não.
Já zerei algumas vezes, sem ganho e nem perdas, e isso é extremamente frustrante, você percebe que não fez nada nem de bom e nem de ruim na vida, tive perdas também... mas nunca superaram os ganhos e é por isso que me faz querer ter sempre mais pra minha vida, superando todas as expectativas.
Ah aquele pôr-do-sol laranja misturando-se com o azul, o amarelo e o vermelho! Como aquele calor invade meu coração e me enche de esperança, amor e fé...
Não existem palavras suficientes pra expressar a sensação de paz que invade todo o meu ser ao ver um espetáculo fabuloso da natureza, julgada tão irracional e que nós, seres humanos, dignos de uma razão incontestável e que vangloriamos isso aos quatro ventos, não somos capazes de fazer nada parecido!
É nessa época do ano que coloco meus pensamentos a me guiar, a traçarem o melhor caminho... ponho-me a pensar e, assim como os ursos, espero o inverno passar como se tivesse num sono profundo, onde só os meus sonhos, desejos e fantasias tem a chance de se manifestar, como se fossem sementes sendo semeadas para que no calor e nas chuvas da primavera floresçam com vitalidade e beleza!
Mas não é só por isso que sou outono... o outono tem seu charme com suas paisagens lindíssimas, desperta nas pessoas um comportamento mais afetuoso para com os seus, é com mais freqüência que se pode ver pessoas andando pelas ruas de braços dados, abraçados em busca do calor um do outro, cafés sempre cheios de pessoas conversando, comidinhas gostosas e bem quentinhas, a cama quentinha ao dormir parece até mais aconchegante, a elegância das pessoas ao se vestirem é inevitável... AMO TUDO ISSO!
Não é à toa que a data comemorativa mais romântica do ano, o dia dos namorados, se festeja NO OUTONO! Não que as outras estações não sejam boas ou menos especiais... adoro todas mas sou completamente apaixonada pelo outono!
O VERÃO com a sua beleza rara, com o sol batendo a pino, que anima a todos a saírem da toca! Não esquecendo que verão sem MAR e sem CARNAVAL não é verão!
A PRIMAVERA com a sua beleza divina da vida, do acordar da natureza, do renascer pro novo e com um perfume inebriante, diga-se de passagem, com o canto dos pássaros que fazem você se sentir como se fosse um deles!
O INVERNO... esse tem cara de ranzinza, com aparência gélida e pálida, parece que sempre está de mau humor, mas sem ele o que seria de nós? É com esse jeito, que às vezes mete medo em muitos, faz com que todos tenham a mesma vontade, a de ficar juntinho uns com os outros.
Não poderia esquecer de salientar sua beleza tão peculiar! Seu amanhecer é sempre de tirar o fôlego... alguns lugares tudo vira gelo em outros ele cobre tudo e todos com o seu manto branco e gelado de neve, flocos de neve caindo do céu causando um impacto impressionante.
Como viram, cada uma tem sua particularidade, você já parou pra pensar qual delas faz com que você voe? Te dá aquele friozinho na barriga? Te faz sentir aquele entusiasmo só pelo ato de olhar pela janela e vê a vida borbulhando lá fora?
É por isso que digo que sou inteira outono... porque só o outono é capaz de fazer acontecer tudo isso e muito mais na minha vida! "
(Ana Paula Lima)
Há algum tempo eu publiquei um texto parecido com este, que encontrei na internet. O nome era outro e o autor constava como desconhecido. À poucos dias, a autora me enviou duas mensagens e senti o quanto ela estava chateada pelo fato, do texto ter sido alterado e estar sem autor.
Ana Paula, gostaria de pedir desculpas, dizer que ontem, depois de tanto procurar achei este texto com seu nome num site e aproveito para dizer o quanto acho lindo e que você escreve muito bem.
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terça-feira, 16 de março de 2010
Só por hoje

Há algum tempo, os Alcoólicos Anônimos distribuíam um folheto para aqueles que buscavam a Instituição, com o desejo de vencer a luta contra o álcool. O folheto trazia uma mensagem intitulada" Só por hoje" e também serve para muitos de nós.
Diz o seguinte:
Só por hoje, procurarei viver o dia que passa, apenas, sem tentar resolver todos os problemas da minha vida inteira. Por doze horas, apenas, poderei executar qualquer coisa que me encheria de pavor se tivesse de realizá-la pelo resto da minha vida.
Só por hoje, me sentirei feliz. Farei verdadeira aquela frase de Abraham Lincoln: Muita gente se sente feliz só porque se convence de que o é.
Só por hoje, procurarei fortalecer minha inteligência. Aprenderei qualquer coisa de útil. Lerei qualquer coisa que exija esforço, pensamento e concentração.
Só por hoje, procurarei me ajustar aos fatos, em vez de tentar ajustar tudo que existe aos meus próprios desejos.
Só por hoje, exercitarei minha alma de três maneiras: fazer um benefício a alguém, sem contá-lo a quem quer que seja. Farei pelo menos duas coisas que não desejava fazer, só por exercício. E hoje, se alguma coisa me magoar, não revelarei a ninguém.
Só por hoje, procurarei mostrar a melhor aparência possível, vestir-me bem, falar baixo e agir delicadamente. Não farei críticas ou tentarei corrigir nem dar ordens a ninguém, a não ser a mim mesmo.
Só por hoje, estabelecerei um programa de ação. É possível que eu não o siga à risca, mas tentarei. Vou me livrar de duas pragas: a pressa e a indecisão.
Só por hoje, dedicarei meia hora, a mim próprio, para fazer silêncio e repouso. Durante essa meia hora procurarei divisar uma perspectiva mais clara de minha vida.
Só por hoje, não hei de ter medo. Especialmente, não hei de ter medo de apreciar a beleza e de acreditar que aquilo que eu der ao Mundo, o Mundo me devolverá.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Palavras ao Vento...

A primeira letra do alfabeto é também a primeira letra da palavra amor e se acha importantíssima por isso!. Com A se escreve "arrependimento" que é uma inútil vontade de pedir ao tempo para voltar atrás e com A se dá o tipo de tchau mais triste que existe: "adeus"... Ah, é com A que se faz "abracadabra", palavra que se diz capaz de transformar sapo em príncipe e vice-versa...
Com B se diz "belo" - que é tudo que faz os olhos pensarem ser coração; e se dá a "bênção", um sim que pretende dar sorte.
Com C, "calendário", que é onde moram os dias e o "carnaval", esta oportunidade praticamente obrigatória de ser feliz com data marcada. "Civilizado" é quem já aprendeu a cantar parabéns pra você e sabe o que é "contrato": "você isso, eu aquilo, com assinatura embaixo".
Com D , se chega à "dedução", o caminho entre o "se" e o "então"... Com D começa "defeito", que é cada pedacinho que falta para se chegar à perfeição e se pede "desculpa", uma palavra que pretende ser beijo.
E tem o E de "efêmero", quando o eterno passa logo; de "escuridão", que é o resto da noite, se alguém recortar as estrelas; e "emoção", um tango que ainda não foi feito. E tem também "eba!", uma forma de agradecimento muito utilizada por quem ganhou um pirulito, por exemplo...
F é para "fantasia", qualquer tipo de "já pensou se fosse assim?"; "fábula", uma história que poderia ter acontecido de verdade, se a verdade fosse um pouco mais maluca; e "fé", que é toda certeza que dispensa provas.
A sétima letra do alfabeto é G, que fica irritadíssima quando a confundem com o J. G, de "grade", que serve para prender todo mundo - uns dentro, outros fora; G de "goleiro", alguém em quem se pode botar a culpa do gol; G de "gente": carne, osso, alma e sentimento, tudo isso ao mesmo tempo.
Depois vem o H de "história": quando todas as palavras do dicionário ficam à disposição de quem quiser contar qualquer coisa que tenha acontecido ou sido inventada.
O I de "idade", aquilo que você tem certeza que vai ganhar de aniversário, queira ou não queira.
J de "janela!, por onde entra tudo que é lá fora e de "jasmim", que tem a sorte de ser flor e ainda tem a graça de se chamar assim.
L de "lá", onde a gente fica pensando se está melhor ou pior do que aqui; de "lágrima", sumo que sai pelos olhos quando se espreme o coração, e de "loucura", coisa que quem não tem só pode ser completamente louco.
M de "madrugada", quando vivem os sonhos...
N de "noiva", moça que geralmente usa branco por fora e vermelho por dentro.
O de "óbvio", não precisa explicar...
P de "pecado", algo que os homens inventaram e então inventaram que foi Deus que inventou.
Q, tudo que tem um não sei quê de não sei quê.
E R, de "rebolar", o que se tem que fazer pra chegar lá.
S é de "sagrado", tudo o que combina com uma cantata de Bach; de "segredo", aquilo que você está louco pra contar; de "sexo": quando o beijo é maior que a boca.
T é de "talvez", resposta pior que "não", uma vez que ainda deixa, meio bamba, uma esperança... de "tanto", um muito que até ficou tonto... de "testemunha": quem por sorte ou por azar, não estava em outro lugar.
U de "ui", um ài" que ainda é arrepio; de "último", que anuncia o começo de outra coisa; e de "único": tudo que, pela facilidade de virar nenhum, pede cuidado.
Vem o V, de "vazio", um termo injusto com a palavra nada; de "volúvel", uma pessoa que ora quer o que quer, ora quer o que querem que ela queira.
E chegamos ao X, uma incógnita... X de "xingamento", que é uma palavra ou frase destinada a acabar com a alegria de alguém; e de "xô", única palavra do dicionário das aves traduzida para o português.
Z é a última letra do alfabeto, que alcançou a glória quando foi usada pelo Zorro... Z de "zaga", algo que serve para o goleiro não se sentir o único culpado; de "zebra", quando você esperava liso e veio listrado; e de "zíper", fecho que precisa de um bom motivo pra ser aberto; e de "zureta", que é como fica a cabeça da gente ao final de um dicionário inteiro.
(Adriana Falcão)
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Contar Bençãos...

A natureza, caprichosa artesã, jamais repete um alvorecer ou um pôr de sol.
A cada amanhecer o céu se veste com cores e tons diferentes.
Há manhãs de sol e de muita luz, que nos convidam a despertar sorrindo.
Há manhãs cinzentas, em que nuvens escuras e densas cobrem sem piedade os raios dourados do sol.
Há tardes em que o poente assume cores que nem mesmo os mais criativos pintores jamais arriscaram usar em seus trabalhos.
Há poentes em que a garoa fina domina a paisagem, ocultando, em meio à bruma, até mesmo as árvores mais próximas.
Há noites sem luar, quando as sombras invadem nosso olhar e as estrelas distantes parecem senhoras de um brilho ainda mais intenso.
Há dias de sol e há dias de chuva.
Assim também são os momentos de nossas vidas.
Nenhum minuto repete minutos anteriores.
Nenhum dia é igual a outro que já vivemos, tampouco será idêntico a algum que ainda vamos viver.
A vida é feita de experiências únicas que, somadas, criam o arcabouço de nossa história.
Há momentos de alegria e momentos de dor.
Há conquistas que nos felicitam.
Há perdas que nos dilaceram.
Tudo que vivemos e aprendemos integra nossas existências e forma o ser que somos ou que um dia seremos.
É evidente que nem todos os momentos são fáceis.
Há dificuldades que nos parecem intransponíveis e dores infinitas.
Nesses momentos o desalento deita sobre nós o peso do sofrimento e da angústia.
Curvamo-nos, incapazes de olhar o horizonte, e só vislumbramos as pedras do caminho.
Não somos capazes de perceber a luz do sol que brilha acima das nuvens.
Tampouco notamos a beleza das flores que emolduram a nossa estrada.
Nessas ocasiões, lembremo-nos de contar as bênçãos recebidas.
Enumeremos as dádivas que iluminam nossos dias.
São tantas!
O corpo físico, instrumento bendito que nos possibilita mais essa jornada terrestre;
A família, composta por amores do passado e do presente, oportunizando-nos reconciliação e crescimento conjunto;
Os amigos, presenças que nos fortalecem e animam nas mais variadas situações;
O trabalho, fonte de recursos materiais a sustentar-nos e engrandecer-nos;
A mensagem do Cristo, guiando nossos passos por trilhas de luz, consolando-nos sempre.
A natureza exuberante, prova inequívoca da existência e da presença de Deus em nossos dias.
Pense nisso!
Não deixe que as adversidades ocultem de seus olhos as bênçãos que a vida lhe concede.
Se a saúde lhe falta, se os amores se afastaram, ou se os recursos materiais se mostram escassos, não se entregue ao desespero.
São apenas dias de chuva a preceder manhãs de sol.
São situações passageiras e necessárias para o aprendizado do espírito.
Valorize o que de bom você já conquistou.
As verdadeiras riquezas não são consumíveis pelo tempo, nem podem ser corroídas pela inveja alheia.
Ao contrário, elas integram e integrarão, para sempre, a essência de cada ser, completando-o.
Conte as bênçãos que já lhe chegaram às mãos e que hão de fazer parte da sua existência.
Levante os olhos, seque as lágrimas e prossiga sempre.
(Desc. Autor)
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Experiência...

Já fiz cócegas na minha irmã só para que deixasse de chorar,
Já me queimei brincando com uma vela,
Já fiz uma bola com o chiclete que me colou na cara toda,
Já falei com o espelho,
Já fingi ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violinista, mago, caçador e trapezista;
Já me escondi atrás da cortina e deixei esquecidos os pés de fora;
Já estive sob o chuveiro até fazer xixi.
Já roubei um beijo, confundi os sentimentos, tomei um caminho errado e ainda sigo caminhando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela onde foi cozido o doce,
Já me cortei fazendo barba muito apressado,
Já chorei ao escutar determinada música no carro.
Já tentei esquecer algumas pessoas e descobri que são as mais difíceis de esquecer.
Já subi às escondidas até o terraço para tentar agarrar estrelas,
Já subi na árvore para roubar fruta,
Já caí da escada.
Já fiz juramentos eternos, escrevi no muro da escola e chorei no chuveiro,
Já fugi de minha casa para sempre e voltei no instante seguinte.
Já corri para não ver alguém a chorar,
Já fiquei só no meio de mil pessoas sentindo falta de uma única.
Já vi o pôr-do-sol mudar de rosado ao alaranjado,
Já mergulhei na piscina e não quis sair mais,
Já tomei whisky até sentir meus lábios dormentes,
Já olhei a cidade de cima e nem mesmo assim encontrei o meu lugar.
Já senti medo da escuridão,
Já tremi de nervos,
Já quase morri de amor e renasci novamente para ver o sorriso de alguém especial,
Já acordei no meio do noite e senti medo de levantar.
Já apostei corrida descalço pela rua, gritei de felicidade, roubei rosas num jardim,
Já me apaixonei e pensei que era para sempre, mas era um "para sempre" pela metade.
Já me deitei na relva até de madrugada e vi o sol substituir a lua;
Já chorei por ver amigos partir e depois descobri que chegaram outros novos e que a vida é um ir e vir permanente.
Foram tantas coisas que fiz, tantos momentos fotografados pela lente da emoção e guardados nesse baú chamado coração...
Agora, um questionário pergunta-me, grita-me desde o papel:
"- Qual a sua Experiência?"
Essa pergunta fez eco no meu cérebro... "Experiência...Experiência..."
Será que cultivar sorrisos é experiência?
Agora... agradar-me-ia perguntar a quem redigiu o questionário:
"Experiência?! Quem a tem, se a cada momento tudo se renova???"
Desconheço o autor mas este texto foi escrito por um candidato, numa seleção de Pessoal em uma grande empresa.
O candidato foi aceito e este texto circula pela internet, mostrando criatividade e sensibilidade.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Pensar é Transgredir...

Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos... para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos.
Mas compreendi, num lampejo!
Então é isso, então é assim...
Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece.
Porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido.
Para reinventar-se é preciso pensar... isso aprendi muito cedo.
Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência.. isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui.
Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante... "Parar pra pensar, nem pensar!"
O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da tv ou do computador. Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação.
Sem ter programado, a gente pára pra pensar.
Pode ser um susto... como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades.
Cada porta, uma escolha... muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo. Outras, para um jardim de promessas. Alguma, para a noite além da cerca.
Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar... reavaliar-se.
Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto.
Somos demasiado frívolos!
Buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas. Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar... quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida.
Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho.
É sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar.
Compreender... somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual.
É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo.
Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos.
Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história.
O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.
Viver, como talvez morrer, é recriar-se.
A vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada.
Conscientemente executada.
Muitas vezes, ousada.
Parece fácil... "escrever a respeito das coisas é fácil", já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado.
Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado... e amar... e amar-se.
Ter esperança... qualquer esperança.
Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez.
Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim.
Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.
Sonhar... porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena.
Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for.
E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.
(Lya Luft)
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Saudade...

Começar o dia falando de saudade faz bem. Bem e mal ao mesmo tempo. Mas é um mal gostoso, desses assim que a gente gosta de sentir.
Se sentimos saudade é que tem gente habitando nosso coração, então já não estamos sozinhos.
Criamos em nós e com nossos relacionamentos episódios da vida, bons ou maus.
Escolhemos caminhos, escolhemos pessoas, escolhemos formas de vida, maneiras e jeitos e saímos por aí vendo o nascer e o pôr do sol. Nossas escolhas presentes condicionam nosso futuro, como as do passado condicionaram o que vivemos agora.
Então, baseados nessas experiências vivenciadas, podemos melhor selecionar o que nos convém, o que nos faz felizes, o que nos torna melhores. Ninguém pode e nem deve viver de arrependimentos, pois esses envenenam a vida. Mas tirando dele o proveito, vamos moldando nosso vaso diário para que a vida se torne, pelo menos a nossa volta, mais bonita.
Se o ser humano entendesse o quanto o seu poder é ilimitado, ele choraria menos, conseguiria mais. Mas esse poder nada tem a ver com força física, é algo que vem de dentro pra fora, como a água da fonte que jorra e mata a sede. E cada minuto do dia podemos decidir que será melhor, podemos decidir que dividiremos com alguém para sairmos acrescentados, deixaremos neles e carregaremos em nós pedacinhos de bons momentos, esses que costumamos chamar de saudade e que rima tão bem com felicidade...
(Letícia Thompson)
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Gota d'água...

Você já parou, alguma vez, para observar uma gota d'água?
Sim, uma pequena gota d'água equilibrando-se na ponta de um frágil raminho...
Com graciosidade, a gotícula desafia a lei da gravidade, se balançando nas bordas das folhas ou nas pétalas de uma flor.
São gotas minúsculas, que enfeitam a natureza nas manhãs orvalhadas ou permanecem como pequenos diamantes líquidos, depois que a chuva se vai.
É por isso que um bom observador dirá que a vida seria diferente se não existissem gotas de água para orvalhar a relva e amenizar a secura do solo.
Madre Tereza de Calcutá foi uma dessas almas sensíveis.
Um dia, um jornalista que a entrevistava lhe disse que, embora admirasse o seu trabalho junto aos pobres e enfermos, considerava que o que ela fazia, diante da imensa necessidade, era como uma gota d'água no oceano.
E aquela pequena sábia mulher lhe respondeu: Sim, meu filho, mas sem essa gota d'água o oceano seria menor.
Sem dúvida uma resposta simples e extremamente profunda, pois, sem os pequenos gestos que significam muito, a vida não seria tão bela...
Um aperto de mão, em meio à correria do dia a dia...
Um minuto de atenção a alguém que precisa de ouvidos atentos, para não cair nas malhas do desespero...
Uma palavra de esperança a alguém que está à beira do abismo...
Um sorriso gentil a quem perdeu o sentido da vida...
Uma pequena gentileza diante de quem está preso nas armadilhas da ira...
O silêncio, frente a ignorância disfarçada de ciência...
A tolerância com quem perdeu o equilíbrio...
Um olhar de ternura para quem pena na amargura...
Pode-se dizer que tudo isso são apenas gotas d'água, que se perdem no imenso oceano, mas são essas pequenas gotas que fazem a diferença para quem as recebe.
Sem as atitudes, aparentemente insignificantes, que dentro da nossa pequenez conseguimos realizar, a Humanidade seria triste e a vida perderia o sentido.
Um abraço afetuoso, nos momentos em que a dor nos visita a alma...
Um olhar compassivo, quando nos extraviamos do caminho reto...
Um incentivo sincero de alguém que deseja nos ver feliz, quando pensamos que o fracasso seria inevitável...
Todas essas são atitudes que embelezam a vida.
E se um dia alguém lhe disser que esses pequenos gestos são como gotas d'água no oceano, responda, como Madre Tereza de Calcutá, que sem essas gotas o oceano de amor seria menor.
E tenha certeza disso, pois as coisas grandiosas são compostas de minúsculas partículas.
Sem a sua quota de honestidade, o oceano da nobreza seria menor.
Sem as gotas de sua sinceridade, o mar das virtudes seria menor.
Sem o seu contributo de caridade, o universo do amor fraternal seria consideravelmente menor.
Pense nisso!
E jamais acredite naqueles que desconhecem a importância de um pequeno tijolo na construção de um edifício.
Lembre-se da minúscula gota d'água, que delicadamente se equilibra na ponta do raminho, só para tornar a natureza mais bela e mais romântica, à espera de alguém que a possa contemplar.
E, por fim, jamais esqueça que são essas mesmas pequenas e frágeis gotas d'água que, com insistência e perseverança, conseguem esculpir a mais sólida rocha.
(Desc.Autor)
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