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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

República de San Marino...


San Marino é uma república da Europa, encravada na Itália, perto da cidade costeira de Rimini na costa do mar Adriático.
Este pequeno país é também a menor e mais antiga república constitucional do mundo, fundada em 3 de setembro de 301 por Marino, um canteiro cristão, diácono da ilha vizinha de Arbe (atual Rab), na Croácia, fugido da perseguição religiosa do Imperador romano Dioclesiano. Sua constituição escrita, datada de 1600, é a mais antiga em vigor.

Por volta do século XII, San Marino já tinha uma configuração política, com seus estatutos e cônsules, e devido ao isolamento geográfico conseguiu manter-se independente, apesar da rivalidade entre nobres e bispos vizinhos. Em meados do século XV, San Marino era uma república regida por um conselho de sessenta membros. No século XVI, foi ocupada temporariamente por César Bórgia. Tentativas de anexação aos Estados Pontifícios, no século XVIII, marcaram o declínio da república.
Quando Napoleão invadiu a Itália, respeitou a independência da República de São Marino e chegou a propor a extensão de seu território em 1797. Mais tarde, o Congresso de Viena (1815), no final das guerra napoleônicas, reconheceu a soberania do país. Durante o movimento de unificação da Itália, São Marino ofereceu asilo a revolucionários, entre os quais Giuseppe Garibaldi. Depois que a Itália se unificou, uma série de tratados -- o primeiro deles em 1862 -- confirmou a sua independência.
A república adotou o regime fascista, em consonância com a política italiana, e em 1944 foi invadida por soldados alemães, bombardeada e ocupada pelas forças aliadas. Recuperada a independência, San Marino foi governado por uma coligação de comunistas e socialistas até 1957, quando chegou ao poder uma aliança entre o Partido Democrático Cristão e o Partido da Democracia Socialista. Em 1978, comunistas e socialistas voltaram ao governo, no qual se mantiveram depois das eleições de 1983.

Em julho de 1986, a crise política resultante de um escândalo financeiro que envolveu socialistas levou à formação de uma nova coligação entre democrata-cristãos e comunistas. Em 1990, o Partido Comunista passou a se chamar Partido Democrático Progressista. Dois anos depois, os democrata-cristãos aceitaram formar um governo conjunto com os socialistas e decidiram não fazer novas alianças com os progressistas, devido à derrocada do comunismo na Europa.

Cultura
As Três Torres de São Marino estão localizadas nos três picos do Monte Titano na capital do país. Eles estão representados na Bandeira de São Marinho e no seu brasão de armas.As três torres são: Guaita, a mais antiga das três (foi construída no século XI); a torre Cesta (erigida no século XIII) localizada no ponto mais elevado do e Montale que data do século XIV no ponto mais baixo do Monte Titano, ainda pertence a particulares.
San Marino tem um bolo famoso conhecido como a La Torta Di Tre Monti ("Bolo dos Três/Torress"), feiro com wafer é similar às torres coberto com chocolate.
Love Orchestra, um projeto de música new age é originário de São Marinho. Durante os concertos no estrangeiro, a bandeira de São Marinho é mostrada.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Turim

Turim


Turim (Torino em italiano e Turin em piemontês) é uma comunidade italiana, capital e maior cidade da região do Piemonte, província de Turim, com cerca de 908.000 habitantes. Estende-se por uma área de 130 km2, tendo uma densidade populacional de 6596 hab/km2. Faz fronteira com Venaria Reale, Settimo Torinese, Borgaro Torinese, San Mauro Torinese, Collegno, Rivoli, Baldissero Torinese, Grugliasco, Pino Torinese, Orbassano, Pecetto Torinese, Beinasco, Moncalieri, Nichelino. A cidade de Turim tem aproximadamente 1.700.000 habitantes em sua região metropolitana e 2.200.000 em sua área urbana.
Foi a capital de Itália entre 1861 e 1864. É em Turim que se encontra o Santo Sudário.
Foi sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2006.

Turim está localizada no noroeste da Itália. A cidade fica na extremidade ocidental da planitia do rio Po. É cercada a oeste pelos Alpes e a leste pelos morros do Monferrato.
Três grandes rios passam pela cidade: o Po e dois de seus tributários, o Dora Riparia (do celta duria, água, mais tarde alterado para "Duria Minor" pelos romanos) e o Stura di Lanzo e Sangone. Na riva oriental o Po tem como afluentes riachos que nascem nos morros.

No ano 1861, quando tornou-se a capital da Itàlia, Turim tinha 173 mil habitantes. Após uma crise, devida à mudança da capital para Florença, Turim desenvolveu uma economia industrial, tornando-se a segunda cidade industrial, atrás apenas de Milão. A cidade continuou crescendo, mesmo durante a Segunda Guerra Mundial, até ultrapassar o milhão de moradores durante os anos sessenta. A partir do final dos anos setenta houve uma diminuiçao da população, devida à baixa taxa de natalidade e ao crescimento das cidades na região metropolitana.
A cidade de Turim cresceu em torno de 0,88% durante os últimos três anos, que foi atribuído a uma taxa de nascimento baixa, contribuindo para o envelhecimento da população. Cerca de 16,4% da população possui menos de 14 anos de idade, enquanto aqueles em idade de aposentadoria são 18,8%. A cidade viu um crescimento no número de imigrantes, incluindo as áreas suburbanas. A população continua na maioria italiana (96,1%), mas há grupos significantes de romenos (2,3%), marroquinos (1,5%), peruanos (0,5%), albanianaos (0,4%) e outros.

Hoje em dia a cidade é uma grande área industrial, conhecida particularmente como a sede da companhia e das principais fábricas da companhia de Fiat. A cidade é sede do edifício Lingotto, que já foi a maior fábrica de carros do mundo e que agora é centro de convenções, local para concertos, galeria de arte, centro de compras e hotel. Outras companhias fundadas em Turim incluem a Invicta, Lavaza, Martini, Kappa e a fábrica de chocolate Caffarel.
Também é um centro da indústria aeroespacial, com a Alenia. Alguns elementos principais da Estação Espacial Internacional foram produzidos na cidade. Futuros projetos europeus como Ariane 5 serão gerenciados de Turim pela nova companhia NGL, subsidiária da EADS (70%) e Finmeccanica (30%).
Em Turim também surgiram grandes companhias italianas, como a Teleco Itália do ramo das telecomunicações e a rede de televisão Rai. A maioria das indústrias de cinema moveram-se para outras partes da Itália, mas Turim continua sendo sede do Museu Nacional de Cinema.

A Mole Antonelliana
A Mole Antonelliana (pronuncia-se "môle"), é uma estrutura em Alvenaria , cuja construção se deu entre 1863 e 1897. Projetada pelo arquiteto Alessandro Antonelli, de onde seu nome provém, possui 167 metros de altura e deveria, originalmente, abrigar uma sinagoga.
Desde sua criação, a comunidade hebraica torinesa desejava construir um templo, entretanto isso só se tornou possível após a liberação de culto a religiões não católicas na Itália, no século Séc. XVX.
Havia para tal um pré-projeto, o qual foi levado à um arquiteto tão logo sua construção se tornou viável. Alessandro Antonelli ficou então encarregado de projetar e coordenar as obras da sinagoga. O arquiteto, entretanto, propôs uma série de modificações que acabaram por elevar consideravelmente os custos e tempo para a conclusão da obra. Dentre elas, a elevação da cúpula a 113 metros foi a mais notável, indo bem além dos 47 inicialmente previstos.
Iniciadas em 1863, as obras tiveram que ser interrompidas por questões financeiras seis anos depois, e um teto provisório foi então construído no lugar da cúpula. Em 1873, a prefeitura de Turim, interessada em dedicá-la ao rei Vitor Emanuel II, firmou um acordo com a comunidade judaica assumindo o prosseguimento da construção da Mole e cedendo um novo terreno para a construção de uma sinagoga. Antonelli, então, reassumiu seu posto e elevou as projeções da cúpula aos 167 metros que possui atualmente. Tal modificação a tornou no edifício em alvenaria mais alto da Europa.
Logo após sua conclusão, entretanto, a edificação sofreu de problemas estruturais devido às dimensões relativamente reduzidas de sua base em relação ao peso que deveria suportar. Além disso, o terreno sobre o qual se deu a construção havia sido ocupado por uma parte dos antigos muros da cidade, demolidas por Napoleão Bonaparte no início do Séc.IX. Era possível, portanto, que o solo ainda não estivesse em condições de suportar a nova construção.
Antonelli trabalhou na Mole até a sua morte, em 1888, e a espécie de elevador acionado por roldanas que levava o já idoso arquiteto ao topo da construção havia se tornado lendária. O arquiteto, entretanto, não pode ver a conclusão das obras, que ocorreu sob o comando de seu filho Constanzo em 1897. Posteriormente, Annibale Rigoti decorou os interiores entre 1905 e 1908.
A história da Mole é permeada por acontecimentos infelizes. Em 1887, durante sua construção, um terremoto obrigou Antonelli a modificar o projeto para concluí-lo. Em 1904 o gênio alado colocado em sua extremidade (comumente confundido com um anjo) foi derrubado por um tornado, sendo substituído por uma estrela de cerca de quatro metros de diâmetro. Um novo tornado derrubou 47 metros da torre em 1953, a qual foi reconstruída somente 8 anos depois, desta vez em estrutura metálica revestida por pedras. Enormes arcos de cimento foram cogitados para ocupar o interior do edifício no intuito de estabilizá-lo. Entretanto, tal projeto desfiguraria completamente a construção, gerando uma desagradável sensação de claustrofobia. Além disso, alguns críticos argumentavam que uma estrutura excessivamente rígida provocaria um efeito negativo, pois reduziria sua capacidade de oscilar elasticamente.
Entre as décadas de 60 e 90, a Mole foi usada como mirante, graças ao elevador que leva seus visitantes a 70 metros acima do nível do solo, e para exposições temporárias. Após permanecer alguns anos fechada para a renovação do elevador (que hoje gasta 59 segundos para fazer seu percurso) e eliminação de parte dos arcos de cimento, a Mole Antonelliana é atualmente sede doMuseu Nacional do Cinema italiano. O mesmo é composto por máquinas óticas pré-cinematográficas, peças provenientes dos set’s dos primeiros filmes italianos e outras relíquias, em uma disposição realmente sugestiva. A Mole foi uma das primeiras construções iluminadas por pequenas chamas de gás, já no fim do Século XIX, e desde 1998, na ocasião da redefinição da iluminação externa e do nascimento da manifestação “Luci d’Artista” (Luzes de Artista, em tradução livre), nota-se uma instalação ao lado da cúpula chamada de “O vôo dos números’’. Esta obra, criada por Mario Merz, é constituída pelos números do início da Sequência de Fibonacci, que prosseguem em sucessão na direção do céu.

Curiosidades
A Mole Antoneliana é representada em uma das faces da moeda de 2 centavos de Euro italianas.




terça-feira, 16 de dezembro de 2008

História da Sicília


História da Sicília



A Sicília é a maior das ilhas do mar Mediterrâneo, separada da Calábria, na península itálica, pelo estreito de Messina, que possui apenas três quilômetros de largura. Devido à sua posição geográfica, a Sicília sempre teve um papel de importância nos eventos históricos que tiveram como protagonistas os povos do Mediterrâneo.
A vizinhança de múltiplas civilizações enriqueceu a Sicília de assentamentos urbanos, de monumentos e de vestígios do passado que fazem da região um dos lugares privilegidos onde a história pode ser revista através das imagens dos sinais que o tempo não apagou. Trata-se de uma região riquíssima em monumentos antigos e sítios de interesse arqueológico (Agrigento, Selinunte, Siracusa, Segesta e Taormina).

Sicília grega e fenícia (735 a.C. a 241 a.C.)
No século VIII a.C., os fenícios fundaram entrepostos de comércio no oeste da ilha, enquanto os gregos colonizaram as costas leste e sul, região que se tornou conhecida como Magna Grécia, fundando prósperas colônias de comércio (Siracusa por exemplo). A Sicília tornou-se uma das regiões mais importantes do Império cartaginês. Entre os séculos V e III a.C., conflitos entre Cartago e os gregos (liderados por Siracusa) caracterizaram a história da ilha.

Sicília romana (241 a.C . a 440 d.C)
Em 264 a.C., começou a primeira guerra púnica (212 a.C.) entre Cartago e Roma, e em 210 a.C.. O banditismo e a pirataria aceleraram o declínio da ilha, que chegou a ser uma das províncias mais ricas de Roma, no tempo da República.

Sicília vândala (440 - 493)
A ilha esteve totalmente sob controle romano, até a invasão dos vândalos em 440 que dominaram a ilha até a chegada dos ostrogodos.

Sicília ostrogoda (493-555)
Depois da queda do Império Romano do Ocidente, os ostrogodos, ao dominarem toda a Península Itálica, acrescentaram a Sicília a seus domínios por mais de meio século. Em 468, sob o rei Genserico, os vândalos vindos da África conquistaram a Sicília, e a Sardenha. Os vândalos restituíram a ilha a Odoacro mediante o pagamento de grande tributo, porém mais tarde o rei Teodorico não manteve o acordo.

Sicília bizantina (535-1043) e Sicília árabe (827-1091)
No decorrer das Guerras Góticas, Belisário anexou a ilha ao Império Bizantino em 535 d.C., um domínio que durou até o século IX.

Conquista bizantina
No início do século VII, a Sicília tornou-se um thema por ordem do Imperador Heráclio de Bizâncio. Ainda no século VII, os árabes iniciaram incursões na Sicília, considerada por eles um ponto estratégico, de onde se podia controlar todo o mar Mediterrâneo.

Primeira tentativa de invasão árabe
A desagregação do Império Bizantino e sua debilidade se faziam sentir na Sicília, alimentando um descontentamento, em uma área que sempre, seja politicamente seja culturalmente, se sentia mais vizinha e atraída por Roma e pelo Império Romano do Ocidente que por Constantinopla e pelo Império Bizantino.
Entre 803 e 820, a eficiência bizantina no quadrante central do Mediterrâneo começou a decrescer vistosamente, na época do governo da Imperatriz Irene de Bizâncio.
O turmarca da frota bizantina Eufêmio de Messina, que havia tomado o poder na Sicília com a ajuda de vários nobres pede ajuda aos árabes em 825 para apoiar seu domínio sobre a ilha. Os bizantinos reagiram duramente sob a liderança de Fotino e Eufêmio, derrotado em Siracusa, escapou a Ifrigiya. Lá encontrou refúgio sob o emir Aghlabidi de Qayrawãn, Ziyãdat Allãh I, a quem pediu ajuda para realizar um desembarque na Sicília e caçar os odiados bizantinos.
Os Aghlabidi eram então dotados de um agudo contraste que contrapunha a componente indígena berbere, islamizada em seguida às primeiras conquistas islâmicas do século VII e conduzida por Mansūr al-Tunbūdhī, ao exército árabe que se juntava em Ifrīqiya (na atual Tunísia na época da instituição do Emirado, por vontade do califa Hãrun al-Rashid com o primeiro Emir Ibrahim Ibn-Aghlad.
Os muçulmanos, que talvez já tivessem planejado uma invasão da Sicília, preparavam uma frota de 70 navios, chamando ao jihad marítimo o maior número de voluntários, oficialmente para atender a uma obrigação moral mas de fato para afastar de Ifrigiya o maior número possível de súditos facínoras que criavam graves tensões, tanto enre a população árabe quanto entre os berberes, com graves problemas para a população civil.

Conquista árabe
A invasão teve início em 17 de junho de 827 e a massa em grande parte berbere, mas sob liderança árabe ou persa, foi creditada ao qãdi di Qayrawān, Asad b. al-Furãt, grande jurista malikita autor da famosa Asadiyya, de origem persa de Khorãsãn. O desembarque ocorreu em Capo Granitola, próximo a Mazara del Vallo e foi ocupada Marsala (em árabe Marsa ‘Alī, o porto de ‘Alī ou Marsa Allāh, o porto de Deus) e os centros foram fortificados e usados como cabeça de ponte e base de atracamento para os navios.
A expedição que pretendia com toda probabilidade (além do lendário imaginário cristão) efetuar uma penetração profunda na ilha, não se ilude de poder superar as formidáveis defesas de Siracusa, a capital bizantina da ilha, mas a substancial debilidade bizantina, há pouco saída de uma duro conflito contra o usurpador Tomás o Eslavo, fez Asad pensar na concreta possibilidade que a inicial tentativa estratégica pudesse ser mudada a uma expedição de verdadeira conquista.
Foi assim possível aos muçulmanos, que já haviam tomado Girgenti (atual Agrigento, sempre com a grande maioria berbere), tomar, em agosto e setembro 831, Palermo, eleita capital da Sicília islâmica (Siqilliyya), depois Messina, Modica (845) e Ragusa, enquanto Castrogiovanni (atual Enna) foi tomada somente em 859. Resistia Siracusa, sede do strategos da qual dependiam tanto o drungariato de Malta quanto os ducados de Calabria, de Otranto e, ao menos teoricamente, de Nápoles.
Foi necessário mais de uma década para vencer a resistência dos habitantes do solo Val di Mazara e para apoderar-se entre 841 e 859 de Val di Noto e Val Dèmone. Siracusa, superado o bloqueio imposto em 872 - 873 por Khafāja b. Sufyān b. Sawādan, caiu em 21 de maio de 878, a meio século do primeiro desembarque, ao término de um implacável assédio que se conclui com o massacre de 5.000 habitantes e com a escravidão dos sobreviventes, resgatados somente muitos anos mais tarde.
A última fortaleza importante da resistência bizantina a ceder foi Tauromenium (atual Taormina) em 1º de agosto de 902 sob o ataque do emir Ibrãhim b. Ahmad.
O último pedaço de terra a resistir aos muçulmanos foi Rometta que capitulou somente em 963. Ibrãhim II na sua vontade de prosseguir a jihad, tentou alcançar a Itália para depois chegar, se disse com grande fantasia, até Constantinopla. Passou portanto o Estreito de Messina e percorreu na direção norte para a Calábria. Não encontrou particular resistência mas sua marcha parou nas imediações de Cosenza que talvez tenha sido a primeira cidade a opor uma certa resistência ao invasor. Porém a parada ocorreu mais por desordens com as quais as operações militares foram envolvidas e pela carência de condução militar e de resultados concretos. Ademais Ibrāhīm, com disenteria, morreu e suas tropas, no limite da desordem, se retiraram. Assim se conclui a tentativa de conquista da "Terra grande" (al-arḍ al-kabīra).

Tentativa de reconquista bizantina
Sabe-se que Basílio II de Bizâncio em 1025 tinha planejado a reconquista da Sicília. Mas não pode iniciá-la porque morreu no mesmo ano. O plano de Basílio foi esquecido por alguns anos, mas depois o imperador Miguel IV de Bizâncio, reencontrando as cartas do projeto de Basílio, e tão logo os viu se entusiasmou, e quis iniciar logo esta campanha de reconquista, que foi confiada ao grande general bizantino Jorge Maniace.
Durante o século XI, houve na Sicília muçulmana uma profunda crise política que opôs o imã fatímida os governadores Kalbidi, que ao final foram vencidos. Do conflito se aproveitaram os bizantinos que, em 1038, empreenderam um efêmero intento de reconquista da ilha.
Ao comando da expedição bizantina estava Estêvão, irmão do imperador Miguel IV, enquanto o comando militar das tropas era confiado ao general Maniace. As tropas eram formadas de numerosos lombardos comandados por Arduíno e por uma companhia de normandos comandados pelo futuro rei da Sicília Guilherme.
A expedição usou como cabeça-de-ponte a base de Reggio Calabria e após cruzar o estreito, ocupou Messina e depois se dirigiu à antiga capital da ilha, Siracusa. Maniace foi o único comandante que conseguiu, antes dos normandos e temporariamente (provavelmente em 1043), libertar a cidade dos muçulmanos. Como testenho do fato, mandou as relíquias de Santa Lúcia a Constantinopla e construiu na cidade uma fortificação que ainda existe, embora ampliado, e tem o nome de "Castelo de Maniace". Também o transporte das relíquias de Santa Ágata durante o século XI ocorreu durante a mesma expedição.
Em 1040, entre Randazzo e Troina estavam as tropas muçulmanas de Abdallah. No local da batalha foi fundado o monastério de Santa Maria di Maniace. O antigo cenóbio se encontra hoje próximo a Maniace na província de Catânia. Abdallah por sorte ou talvez por erro de estratégia de Estevão se recusou a enfrentá-lo.
Porém uma série de eventos funestos, e uma revolta de Arduíno puseram em crise a expedição que teve que abandonar a Sicília e retirar-se até a Apúlia. Em 1043, à frente do exército Jorge Maniace repreendeu a revolta, constituída de normandos e lombardos e graças ao bom resultado da batalha, os seus soldados quiseram colocá-lo no lugar do imperador bizantino Constantino IX.
Sob o domínio árabe, Palermo floresceu. Dois séculos de domínio sarraceno encerraram-se no século XI quando a Sicília tornou-se, no século XI, um Estado normando.

Sicília normanda (1060-1194)
Quase contemporaneamente à conquista da Inglaterra, grupos de normandos se dirigiram ao sul da península itálica, inicialmente como mercenários, motivados pela possibilidade que ofereciam as rebeliões anti-bizantinas na Puglia. Nessa época a maior parte da Península Itálica era dominada pelo Reino Lombardo, enquanto a Sicília estava dominada pelos árabes, lá chamados de sarracenos. Os mercenários normandos, por volta de 1025, prestavam seus serviços para várias tarefas, como a proteção dos peregrinos que iam ou retornavam de Jerusálem ou a luta aos sarracenos. Desta maneira enriqueceram, constituindo-se em senhores territoriais (o primeiro foi o condado de Aversa com Rainulfo Drengot em 1027). Logo, para dar uma direção política se aliaram à família dos Altavilla guiada por Guilherme Braço de Ferro (morto em 1046, que liderou uma mudança radical no domínio político-territorial do Mezzogiorno.
O Papa Leão IX, vendo sua Benevento ameaçado, tentou enfrentá-lo; mas o exército pontifício foi derrotado na Batalha de Civitate (1054), o Papa foi capturado, e assim Benevento permaneceu uma ilha pontifícia em terra normanda.
A conquista normanda na Itália meridional deu-se em duas frentes: por um lado continuou a erodir o poder bizantino na Apúlia e Calábria e por outro começou a luta para tomar a Sicília dos muçulmanos.
Em 1059, Roberto o Guiscardo dos Altavilla fez um pacto com o Papa Nicolau II, a Concordata de Melfi, com a qual se declarava formalmente seu vassalo, obtendo em troca os títulos (ainda somente nominais) de duque de Puglia (que compreendia também a Basilicata) e da Calábria (que estava porém ainda em parte nas mãos dos bizantinos), parte da Campânia e Sicília (que estava porém em mãos dos árabes). Os normandos conseguiram rapidamente livrar o Sul da presença bizantina com repetidas expedições que se concluíram com a conquista, por Roberto o Guiscardo da cidade de Reggio de Calabria, onde ele confirmou o título de duque de Calábria. Os Altavilla assim puderam rapidamente dedicar-se à Sicília.
Rogério Bosso Altavilla, irmão de Roberto, no comando de um grupo de cavaleiros, em 1061, desembarcou em Messina e invadiu a ilha (então sob domínio árabe). Até 1064, conseguiu instalar-se somente no canto nordeste da ilha e avançar até Cefalù e Noto. Enquanto isso, Roberto tomou Brindisi e Bari (1071) e veio então em ajuda ao irmão. Em 1072, os normandos chegaram a Palermo, que foi escolhida capital e em 1077 a Taormina. No continente, caíram em suas mãos Amalfi em 1073 e Saleno em 1077.
Em 1088, Boeundo I de Antioquia, filho da primeira esposa de Roberto, se tornou soberano incontestável do Principado de Taranto. Na noite de Natal de 1130, Rogério II, filho de Rogério de Altavilla, foi nomeado rei de Sicília e duque da Apúlia e da Calábria, criando assim na Itália meridional um Estado de dimensões consideráveis: o Reino normando da Sicília. Ele estendeu o domínio normando com a conquista do Ducado de Nápoles (1137) e, com Assise di Ariano (1140), conferiu ao seu Reino uma organização feudal rigidamente hierárquica e estreitamente ligada à pessoa do soberano.
O domínio dos normandos na Itália meridional teve fim em 1194 (morte de Tancredo de Lecce) e em 1198, quando Henrique, Imperador do Sacro Império Romano (morto em 1197), em virtude de seu matrimônio com Constança de Altavilla (morta em 1198), uniu à coroa imperial a de rei da Sicília.

Sicília suábia (1185-1266)
A dominação pela dinastia suábia dos Hohenstaufen na Sicília teve início com um matrimônio de Estado entre Henrique VI, filho do imperador Frederico Barbarossa, e Constança de Altavilla, filha de Rogério II da Sicília. Em 1185, abriu-se assim a estrada para a conquista suábia. Em 1194, com a morte de Guilherme III, a ilha foi conquistada pela soberano germânico, passando a integrar o Sacro Império. Tinha assim início a dinastia suábia na Sicília que com Frederico II, filho de Constança, atingiu seu máximo esplendor.

Sicília angevina (1266-1282)
Ao fim da dinastia dos Hohenstaufen, em 1266, a Sicília foi designada pelo Papa, que considerava a ilha patrimônio da Igreja, a Carlos I, mas o domínio angevino na Sicília teve curta duração.
No verão de 1282, Messina foi posta sob assédio por Carlos I de Anjou, que sabia que não poderia avançar ao interior da Sicília sem haver dominado a cidade sobre o estreito. O assédio durou até o final de setembro, mas a cidade não foi derrotada.
Catânia foi um dos centros da revolta contra os anjevinos: os cataneses, que haviam sofrido injustiças e danos econômicos devido ao fechamento do porto da cidade, contribuíram valorosamente para derrubar os "maus senhores". Os mais importantes nomes que conduziram a revolta em Catânia foram Palmiero, abade de Palermo, Gualtiero da Caltagirone, Alaimo da Lentini e Giobanni da Procida. Este último, em 1280, disfarçado de monge, recorreu ao papa Nicolau II, ao imperador de Bizâncio Miguel VIII Paleólogo e ao rei Pedro III de Aragão, para pedir: ao papa para não apoiar Carlos de Anjou em caso de revolta; ao imperador Miguel o apoio externo contra o inimigo comum; e ao rei de Aragão para fazer valer o seu direito ao trono da Sicília enquanto marido de Constança, filha de Manfredo, o último dos Hohenstaufen.
Nesse ínterim, os sicilianos haviam oferecido a coroa da Sicília a Pedro III de Aragão, marido de Constança, filha do falecido rei Manfredo da Suábia, transformando a insurreição em um conflito político entre sicilianos e aragoneses por uma lado e os anjevinos, o Papado, o Reino da França e as várias facções guelfas de outro lado.
Em 1282, o moto melhor conhecido como Vésperas sicilianas pôs fim ao domínio da ilha por parte da dinastia francesa. Apenas estourou a revolta na Sicília, a frota aragonesa já estava em Palermo e a ocupação da cidade por Pedro dava assim início à dominação dos aragoneses na Sicília (1282-1410).
Em 26 de setembro de 1282, o Rei Carlos, derrotado, retornou a Nápoles.

Sicília aragonesa (1282-1513)
Em 1282, imediatamente após as Vésperas Sicilianas (revolta contra os franceses que aí se haviam instalado com a casa de Anjou), o Reino da Sicilia foi dividido em duas partes (Sicília e Itália meridional), mas ambas conservaram oficialmente o nome de Reino da Sicília. Nápoles (Itália meridional) continuou sob o controle da dinastia francesa, mas a ilha da Sicília se proclamou independente e elegeu como rei Pedro III, o Grande, rei de Aragão. Seguiram-se então mais de cinco séculos de governo dos príncipes aragoneses e reis espanhóis.
Em 1442, Afonso V, príncipe de Aragão, reuniu o Reino da Sicília e o Reino de Nápoles sob o nome de Reino das Duas Sicílias, o que não foi bastante para evitar nova cisão, sobrevinda em 1458.

Os judeus na Sicília
Nesta ilha viviam várias famílias judaicas, que já tinham sido vítimas de pogroms anterioremente. Mas os judeus tinham também um papel predominante no comércio e na medicina na ilha.
Quando em 1492 os reis católicos, Fernando II (rei da Sicília desde 1468) e Isabel, ordenaram a expulsão ou a conversão dos judeusna Espanha, e a Sicília teve de fazer o mesmo. O vice-rei siciliano hesitou, mas acabou por tomar medidas lesivas dos judeus: proibiu-os de vender as suas posses e impediu-os de levar consigo quaisquer armas. Como consequência da saída dos judeus sabemos que o comércio e a economia siciliana sofreu bastante.
No século XVII alguns sicilianos pediram ao rei que fizesse alguma coisa para fomentar o comércio na ilha. Carlos II concedeu a Messina o privilégio de porto livre (ver Stadluft Macht frei) e concedeu aos judeus o direito de estabelecer o comércio ali, com a condição de eles dormirem fora da cidade e que usassem um sinal distintivo na sua roupa. Esta posição ambígua não encorajou os judeus a virem e em 1728, foi concedido aos judeus o direito do comércio em qualquer parte da ilha, que residissem em Messina, terem uma sinagoga e um cemitério e a poderem possuir e dispor de propriedade. Mesmo isto não ajudou, e em 1740 o rei convidou explicitamente os judeus a virem para a ilha. Algumas famílias aceitaram mas viram-se maltratadas pela população. Pouco depois, os judeus foram culpados por elementos da igreja católica pela incapacidade do rei em gerar um sucessor de sexo masculino. Sete anos tinham passado desde que estas últimas famílias tinham chegado e os judeus voltaram a ser expulsos.
Fernando II, o Católico, recuperou em 1504 o reino de Nápoles sob os auspícios da coroa espanhola. Com o Tratado de Utrecht (1713), a Sicília separou-se novamente de Nápoles.

Sicília espanhola (1513-1716)
A dominação espanhola na Sicília começou em 23 de janeiro de 1516, com a ascensão de Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico ao trono de Espanha, e terminou em 10 de junho de 1713, com a assinatura do Tratado de Utrecht, que sancionou a passagem da ilha de Filipe V a Vítor Amadeu II, Duque de Sabóia.

Sicília piemontesa (1713-1718)
A dominação Piemontesa na Sicília começou em 10 e junho de 1713, que marcou a passagem da ilha de Filipe V a Vítor Amadeu II, Duque de Sabóia, e se concluiu em 1720, quando Carlos VI invadiu a ilha e a trocou com a Sardenha.

Sicília burbônica (1734-1860)
Em 1720, a Sicília passou ao controle dos Habsburgos e, em seguida, foi novamente incorporada ao Reino das Duas Sicílias, já então governado pelos Bourbons (1738).
Em 1799 , o exército revolucionário francês derrotou Fernando II, rei das Duas Sicílias, e conquistou o Reino de Nápoles. Sete anos depois, Napoleão Bonaparte impôs seu irmão José Bonaparte (José I) no trono napolitano, no qual permaneceu por um breve período.
Depois do Congresso de Viena de 1815, que restaurou os monarcas europeus nos tronos que haviam perdido durante a época napoleônica, o rei Fernando I, já então rei Fernando IV de Nápoles e de Sicília, atribuiu-se o Reino de Nápoles que havia perdido em 1806 e, em 8 de dezembro de 1816 uniu os dois reinos restaurando assim o Reino das Duas Sicílias.

Sicília da Itália unificada (1860-hoje)
Freqüentemente conturbada por agitações, a Sicília foi palco, em 1820, de um levante militar, dirigido pelos carbonários, e em 1861 foi ocupada pelas tropas do nacionalista italiano Giuseppe Garibaldi. Garibaldi reconheceu Vitor Emanuel II como rei, monarca do Piemonte e Sardenha, e a Sicília se unificou-se ao novo Reino da Itália.
Após a Segunda Guerra Mundial, e mediante a Constituição de 1948, a Sicília recebeu um estatuto de autonomia, convertendo-se numa região autônoma da Itália, com amplos poderes de autogoverno.




quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Masaccio

Masaccio

Masaccio (Nasceu em 21 de dezembro de 1401 e faleceu em 1428) foi o primeiro grande pintor do Quattrocento na Renascença Italiana. Seus afrescos são monumentos ao Humanismo e introduzem uma plasticidade nunca antes vista na pintura. Foi o primeiro grande pintor italiano depois de Giotto e o primeiro mestre da Renascença italiana. Masaccio entendeu o que Giotto iniciara no fim da Idade Média e tornou essa compreensão acessível a todos. Começou a trabalhar ainda quando Gentile da Fabriano, artista do Gótico Internacional, estava em Florença. Morreu aos 27 anos, mas sua obra é madura.

Masaccio é uma versão de Tommaso (Tommaso Grandão), que foi criada para distingui-lo de seu principal colaborador, Masolino. Apesar de sua breve carreira, ele afetou profundamente a obra de outros artistas. Foi um dos primeiros a usar a perspectiva científica na pintura. Também se afastou da pintura gótica e da elaborada ornamentação de Gentile da Fabriano, voltando-se para um estilo mais naturalista e real.

Masaccio nasceu em San Giovanni Valdarno, em Arezzo, na Toscana. A família se mudou para Florença e Masaccio entrou para a guilda de artesanato na cidade. Sua primeira obra foi o Tríptico de San Giovenale e A Virgem e o Menino com Santa Ana, que na Galeria Uffizi. A segunda obra foi uma colaboração com Masolino. Não se sabe de onde Masaccio recebeu suas primeiras lições de pintura.

Em Florença, Masaccio estudou a arte de Giotto e conheceu Alberti, Brunelleschi e Donatello. De acordo com Giorgio Vasari, a partir de 1423 Masaccio se libertou de todas as tradições góticas e bizantinas, como pode ser visto no altar da Igreja Carmelita, em Pisa, cujo painel central está agora na Galeria Nacional de Londres.

A Virgem e o Menino com Anjos.
A Madonna tem traços escultóricos e seu trono tem perpectiva. O menino é desprovido de qualquer aparência régia bizantina, é apenas um menino, chupando o dedo. É a antítese do estilo Gótico Internacional, de Gentile da Fabriano, com suas versões estilizadas de cenas bíblicas.

Em 1424, Masaccio e Masolino executaram um ciclo de afrescos para a Capela Brancacci, na Igreja de Santa Maria del Carmine, em Florença. O temos dos afrescos eram as Histórias de São Pedro. O gênio de Masaccio pode aí ser admiriado. No afresco A Ressurreição do filho de Teófilo, Masaccio pintou uma calçada em perpectiva, rodeada de grandes prédios para obter uma profundidade de campo e um espaço tridimensional no qual as figuras eram colocadas proporcionalmente ao seu espaço ao redor. Masaccio foi pioneiro no uso da perspectiva.

Adão e Eva Expulsos do Paraíso, antes e depois da restauração.
As cenas de Masaccio mostram as suas referências a Giotto. A Expulsão do Jardim do Éden, mostrando uma cena terrível de Adão e Eva nus, foi crucial para a obra de Michelangelo. Outra grande obra é Dinheiro dos Tributos, na qual Jesus e os Apóstolos são mostrados como arquétipos neo-clássicos.

Em 1425, Masolino partiu para a Hungria. Algumas das cenas que pintaram juntos foram destruídas em um incêndio em 1771. Em 1426, Masaccio foi contratado por Giuliano di Colino degli Scarsi para pintar um grande altar, o Políptico de Pisa, para sua capela na Igreja de Santa Maria del Carmine, em Pisa. Com a ajuda de Brunelleschi, em 1427 Masaccio ganhou uma encomenda para produzir uma Trindade Sagrada para a Igreja de Santa Maria Novella, em Florença. O afresco, considerado por muitos como sua obra-prima, marca o uso sistemático da perspectiva linear, possivelmente desenvolvida com a ajuda de Brunelleschi. A obra apresenta três planos: no superior, a Trindade; no plano médio, a Virgem (a única a olhar para o espectador) e São João; no plano inferior, os doadores da obra, membros da Família Lenzi. Na base, o esqueleto, que representa todos os seres humanos, com uma inscrição: "Fui outrora o que você é, e sou aquilo em que você se transformará".

Masolino voltou para Itália antes da morte de Masaccio. Trabalharam juntos em Roma, na criação de afrescos para a Santa Maria Maior. Masaccio morreu em 1428. Diz a lenda que foi envenenado por um pintor rival. Hoje existem poucos afrescos que são certamente atribuídos a ele.

Masaccio influenciou profundamente a arte da Renascença. De acordo com Giorgio Vasari, todos os pintores de Florença estudaram seus afrescos para aprender como pintar bem. Ele transformou a direção da pintura italiana, desviando-se das idealizações da arte gótica e voltando a arte para um mundo mais profundo, natural e humanista.

Obras

Tríptico de San Giovenale
Está hoje na Igreja de Cascia di Reggello, em Pieve de San Pietro, perto de Florença. Foi encomendado pela Família Castellani para a Basílica de São Lourenço, em Florença e depois transportado. Foi descoberto em 1961, em um péssimo estado de conservação. A complexa perspectiva do painel central deve ter sido nova para a época. Foi a primeira obra assinada em caracteres não-medievais.

Madonna e Menino com Santa Ana
É uma obra com colaboração de Masolino. Mais uma vez o uso da perspectiva é claro, especialmente na mão de Santa Ana. Jesus é novamente uma criança comum. É também uma das primeiras obras a mostrar o efeito da luz natural sobre as figuras. A sucessão de planos em perspectiva mostra uma estrutura quase piramidal.

A Virgem com Menino e Anjos
Encontra-se hoje na Galeria Nacional de Londres. Foi criado para o altar da Igreja Carmelita em Pisa. Outros painéis do altar estão espalhados pelo mundo. Mostra o desejo de Masaccio de pintar com realismo. Mostra também os estudos de Masaccio em relação à luz (ver a sombra e a luz dos instrumentos dos anjos) e a influência da arquitetura romana (no trono da Virgem).

Expulsão do Paraíso
Feita para a Capela Brancacci. Três séculos após sua criação, o Grande Duque da Toscana exigiu que fossem colocadas folhas para esconder a nudez das figuras. Nos anos de 1980, as folhas foram removidas e o quadro restaurado. O quadro foi inspirador para Michelangelo.
Masaccio inspirou-se em figuras gregas e romanas, além de escultras de Donatello para a elaboração do afresco.

O Pagamento do Tributo
Representa a história de São Pedro e o coletor de impostos. A importãncia da obra está na caracterização de Jesus como uma figura humana, com a mesma altura dos Apóstolos, uma rejeição à perspectiva hierárquica, que marcou a arte bizantina. Masaccio enfatiza os diferentes espaços com a clássica teoria da cor.

A Natividade
Pintada em um prato. Foi o primeiro da tradição renascentista. Novamente se percebe a influência de Bruneleschi no retrato dos arcos do prédio. São Geronimo e São João Batista. Feito para um políptico da Igreja de Santa Maria Maior, em Roma. Foi o último trabalho de Masaccio antes de morrer. Mais uma vez Masaccio e Masolino trabalharam juntos, mas Masolino teve de finalizar a obra. É a única obra que revela a presença de Masaccio em Roma.

São Pedro curando Doentes com sua Sombra
Sobre a vida de São Pedro. Se acredita que as figuras na obras são representações de Masolino ou Donatello. A rua de Florença é elaborada em perspectiva e o desenho das casas revela novamente a influência da arquitetura.

A Ressurreição do Filho de Teófilo
Outro afresco da Capella Brancacci sobre a vida de São Pedro. Masaccio representa o episódio em um abiente da época, com figuras como Masolino, Leon Battista Alberti,Brunelleschi e ele mesmo, em um auto-retrato (são os quatro homens bem à direita)..

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Palazzo Reale di Napoli



Palazzo Reale di Napoli


O Palazzo Reale di Napoli (Palácio Real de Nápoles) é um dos quatro palácios que serviram de residência aos reis de Nápoles e Sicília durante o seu reinado no Reino das Duas Sicílias (1730-1860); os outros palácios são o Reggia di Caserta, o Reggia di Capodimonte e o Reggia di Portici.

História
O edifício, que se situa em Nápoles, na actual Piazza del Plebiscito (Praça do Plebiscito), foi construído em 1600 por Domenico Fontana[1], sob encomenda do vice-rei espanhol de então, o Conde de Lemos. Este deveria hospedar o rei Filipe III de Espanha, esperado em Nápoles com a sua consorte para uma visita oficial que nunca aconteceu. O palácio tornou-se sucessivamente residência do vice-rei espanhol, do vice-rei austríaco e, finalmente, dos reis da Casa de Bourbon.
A residência real foi mudada para Caserta no século XVIII, uma vez que esta cidade, afastada do litoral, era mais defensável do assalto naval do que Nápoles.
No periodo compreendido entre 1806 e 1815 foi enriquecido por Gioacchino Murat e Carolina Bonaparte com decorações e adornos neoclássicos provenientes do Palácio das Tulherias. Em 1837 foi danificado por um incêndio e posteriormente restaurado entre 1838 e 1858 pela mão de Gaetano Genovese, o qual ampliou e regularizou, sem distorções, a antiga construção. Naquela época foram acrescentadas à estrutura a Ala das Festas e uma nova fachada voltada para o mar, caracterizada por uma base rusticada e por uma torre-belvedere. No ângulo com o Teatro San Carlo foi criada uma pequena fachada no lugar do palácio velho de dom Pedro de Toledo.
Depois do Risorgimento foi eleita residência napolitana dos soberanos da Casa de Sabóia. Em 1888, por vontade de Humberto I, os nichos externos foram ocupados por gigantescas estátuas dos Reis da Sicília e Nápoles: Rogério II da Sicília, Frederico II da Suábia, Carlos I de Anjou, Afonso V de Aragão, Carlos V de Habsburgo, Carlos III de Bourbon, Joachim Murat, e Vítor Emanuel II de Sabóia, primeiro rei de Itália unida.
Em 1922 foi decidido (por Decreto do Ministro Anile) transferir a Biblioteca Nacional Vitor Emanuel III (actualmente no edifício do Museu Arqueológico Nacional de Nápoles) para o Palazzo Reale di Napoli; a transferência dos livros foi efectuada em 1925.
Os bombardeamentos súbitos ocorridos durante a Segunda Guerra Mundial e a ocupação militar que se seguiu causaram danos gravíssimos ao palácio, as quais justificaram um restauro a cargo da Superintendência dos Monumentos.

Arquitectura
A fachada possui uma base rusticada com duas ordens de janelas ao longo de 169 metros. No seu centro são visíveis os brasões reais e vice-reais. A fachada conserva a forma clássica original, com excepção do pórtico, onde na segunda metade do século XVIII, por obra de Luigi Vanvitelli, foram fechados alternadamente os arcos para aumentar a solidez do edifício, dando vida a arcadas fechadas em nichos. Em seguida, com os restauros do século XIX, foram acrescentadas arcadas fechadas em ambas as extremidades da fachada, cobertas por um terraço. Nestes nichos foram instaladas estátuas de oito reis de Nápoles, cujos bustos são reproduzidos abaixo.
Entrando no palácio, acede-se ao Pátio de Honra, o qual conserva a marca arquitectónica de Fontana. Em frente fica uma fonte oitocentista com a estátua da "Fortuna". À esquerda ficam os Jardins e à direita encontram-se o Pátio das Carruagens e o Pátio do Belvedere.
Acede-se ao Apartamento histórico pela monumental e luminosa Escadaria de Honra (Scalone d'onore), a qual foi projectada em 1651 por Francesco Antonio Picchiatti e decorada, de seguida, por Gaetano Genovese entre 1838 e 1858. A Escadaria foi decorada em mármore branco e rosado, com troféus militares e baixos relevos alegóricos. É digna de nota a rica balaustrada de mármore perfurado. Na zona superior encontram-se estátuas monumentais em gesso, as quais representam a Força, a Justiça, a Clemência e a Prudência. No final da Escadaria acede-se ao luminosíssimo Ambulacro, circundado por vitrais oitocentista. Elegantes estuques decoram as abóbadas do vestíbulo.

Apartamento Real
O Apartamento Real foi destinado a museu, a partir de 1919, com o nome de Apartamento Histórico (Appartamento Storico). Durante a visita podem admirar-se as salas Reais de aparato no andar nobre, as quais não sofreram qualquer alteração. Na década de 1970, algumas salas foram adaptadas a galeria de obras de arte e ordenadas com base em critérios temáticos e historico-estilísticos.
As salas e as mobílias usadas mais quotidianamente não estão juntas devido aos graves danos e ao saque ocorrido no palácio durante a Segunda Guerra Mundial. A guerra também danificou as vestes bourbónicas, refeitos na segunda metade do século XX nos mesmos teares antigos da Sedaria Bourbónica da Fábrica de San Leucio, próximo de Caserta.
Os testemunhos mais importantes da decoração seicentista de origem são os afrescos de conteúdo histórico e de gosto tardo-maneirista que decoram as salas mais antigas com ciclos de pintura destinados a exaltar a glória e a fortuna dos espanhóis vencedores.

Sala I: Teatro da Corte
Esta sala foi organizada por Ferdinando Fuga em 1768. Embora tenha sido muito danificada durante a Segunda Guerra Mundial (a abóbada é de meados do século XX), conserva as doze estátuas de papel machê originais, obra do escultor Angelo Viva, as quais representam Apolo, Minerva, Mercúrio e as nove Musas. Este Teatro acolheu representações de obras de Paisiello e Cimarosa. Chega-se à sala seguinte através de duas entre outras cinquenta portas em madeira pintadas sobre fundo de ouro, obra de um decorador desconhecido que viveu entre o século XVIII e o século XIX, decoradas com elegantes motivos fantásticos, vegetais e animais, de gosto Pompeiano.

Sala II: Sala Diplomática
Na segunda sala, denominada também de Antecâmara de Sua Majestade (Anticamera di Sua Maestà), reunia-se o séquito das delegações diplomáticas recebidas na Sala do Trono. Sobre a abóbada encontra-se a pintura de Francesco De Mura que representa "A alegoria da virtude de Carlos de Bourbon e Maria Amália da Saxónia". A sala, coberta com lampasso (tecido antigo, frequentemente enriquecido com tramas de ouro e prata) encarnado, está enriquecida com majestosos móveis neo-barrocos, enquanto que nas paredes se encontram duas tapeçarias Gobelins da série de alegorias dos elementos: o Fogo e o Ar. Foram tecidas por Louis La Tour sobre cartões de Charles Lebrun, destinadas à celebração do poder do Rei Luís XIV de França.

Sala III: Saleta Neoclássica
Ao centro desta sala existe uma Ninfa alada da autoria de De Crescenzo. Nas paredes encontram-se dois importantes registos respeitantes ao Palácio Real, a Escadaria, de Antonio Dominici, e a Capela Real, de Elia Interguglielmi, representadas por ocasião dos casamentos por procuração das princesas Maria Teresa e Maria Luisa de Bourbon com os primos austríacos Francisco II de Habsburgo e Fernando III de Lorena, ocorridos em 1790.

Sala IV, ou Segunda Antecâmara de Sua Majestade: Esplendor de Afonso o Magnânimo
Belisario Corenzio, ajudado por colaboradores da sua oficina, pintou na abóbada da Segunda Antecâmara um afresco que representa o Esplendor de Afonso o Magnânimo, fundador do reino aragonês de Nápoles. As várias secções, todas com uma legenda em espanhol, representam: ao centro, Investidura Real de Afonso; seguindo-se no sentido dos ponteiros do relógio, Afonso de Aragão entra em Nápoles; Cura para as artes e as letras; Submissão da cidade de Génova; Entrega a Afonso da Ordem do Tosão de Ouro. Nas paredes encontram-se duas pinturas de Massimo Stanzione, sendo uma delas "São Pedro consagra Sant'Aspreno como primeiro Bispo de Nápoles".

Sala V: Terceira Antecâmara
Sobre a parede central da sala, uma tapeçaria com o Rapto de Proserpina, de Pietro Duranti, testemunha a actividade da Real Tapeçaria de Nápoles.
O tecto, de 1818, é da autoria de Giuseppe Cammarano e representa Pallade entronizando a Fidelidade.

Sala VI: Sala do Trono
A Sala do Trono é o lugar da autoridade, no qual o Rei recebia todos os seus hóspedes. O trono de madeira dourada, com os leões de estilo Império sobre os braços, pode ser datado por volta de 1850, enquanto que o baldaquino é originário do século XVIII. Nas paredes estão retratadas personagens realmente existentes entre o século XVII e o século XIX, entre as quais se encontra Fernando I, pintado por Vincenzo Camuccini. No tecto, de 1818, encontram-se personificações das catorze províncias do Reino das Duas Sicílias com brasões heráldicos e insígnias do reino.

Sala VII
Na Sala VII encontra-se um ciclo de pinturas que representa a História bíblica de Judite, de Tommaso de Vivo.

Sala VIII: Salão dos Embaixadores
A antiga galeria tem origem no terceiro decénio do século XVII. A abóbada conserva um dos afrescos mais antigos do palácio, o esplendor da Casa de Espanha em catorze quadros, obra de Belisario Corenzio, Onofrio e Andrea de Lione. O ciclo de Maria Anna de Áustria (1634-1696), do quinto decénio do século XVII, apresenta nos ângulos o brasão dos Habsburgo, obra de Massimo Stanzione.

Sala IX: Sala de Maria Cristina de Sabóia
Esta sala, que anteriormente era denominada Sala dos Ministros, foi mais tarde rebaptizada em homenagem à rainha de Nápoles Maria Cristina de Sabóia, primeira esposa de Fernando II, a qual morreu em 1836 depois de ter dado à luz o futuro rei Francisco II e proclamada beata pela sua grande virtude cristã.
Entre as pinturas encontram-se O massacre dos inocentes, de Andrea Vaccaro, e Caminho do Calvário, atribuída a Decio Tramontano. Dois grandes vasos de Sévres, de 1820, representam "as Estações".

Sala X
A Sala X é o oratório privado da rainha Maria Cristina de Sabóia e, nas paredes, apresenta a "História do Nascimento de Cristo", de Francesco Liani.
Desta sala acede-se ao "Jardim Pênsil", chamado antes de "Loggia" ou "Belvedere", o qual foi edificado na segunda metade do século XVII. Este jardim apresenta-se, actualmente, no arranjo oitocentista efectuado pelo arquitecto Genovese, decorado com fontes, árvores floridas e, ao centro, uma mesa de mármore e bancos neoclássicos. Primeiro Carlos e depois Fernando de Bourbon tiveram lá o seu quarto, o qual avançava sobre o jardim.
No século XIX, o acesso directo ao jardim também era possível a partir da actual Sala XX mediante uma ponte em ferro forjado, mais tarde destruída pelos bombardeamentos da Segunda Guerra Mundial.
A partir do Jardim Pênsil é possível gozar uma das mais belas vistas sobre o Golfo de Nápoles, do Vesúvio à Península Sorrentina até Capri.

Sala XI: Sala do Grande Capitão
O teto desta sala representa um dos testemunhos mais preciosos que restaram da primitiva decoração seiscentista do palácio. Foi pintado por Battistello Caracciolo na segunda metade do século XVII e representa "A conquista do Reino de Nápoles", ocorrida em 1502, por Gonzalo Fernández de Córdoba, primeiro vice-rei espanhol de Nápoles, chamado de "Grande Capitão".

Sala XII: Sala dos Flamengos
Esta sala recebeu este nome devido aos retratos holandeses do século XVII provenientes da Galeria Real de um palácio em Chiaia e comprados em Roma por Fernando IV de Bourbon em 1802. Sobre a consola mural está colocado um raríssimo relógio de Charles Clay, proveniente de Londres e datado de 1730, com carrilhão e figuras móveis. Ao centro da sala existe uma floreira com uma gaiola para aves, atribuida à Manufactura Popov de Gorbunovo, próximo de Moscovo, oferecida pelo czar Nicolau I da Rússia a Fernando II por ocasião da sua viagem a Nápoles em 1846. O tecto carrega brasões das províncias do Reino e um afresco de G. Maldarelli: "A Magnanimidade de Tancredo d'Altavilla para com Constança de Aragão sua prisioneira".

Sala XIII: Estúdio do Rei
O Estúdio do Rei é da época de Joaquim Murat. Os móveis de estilo Império foram fabricados em Paris entre 1809 e 1811, pelo ebanista Adam Weisweiler. Nas paredes encontram-se paisagens napolitanas da Escola de Posillipo. Na abóbada pode ver-se uma têmpera sobre estuque de G. Cammarano (1840): "Afonso da Calábria liberta Otranto dos turcos".

Sala XIV: Sala do Século XVII Napolitano
Esta sala, antes pertencente à rainha, é a primeira de uma série de salas decoradas no século XVIII para formar o apartamento de Maria Amália da Saxónia, esposa de Carlos III de Bourbon; nesta sala estão expostas pinturas do século XVII Napolitano. De Andrea Vaccaro são: "A fábula de Orfeo que encanta os animais" e "O encontro de Raquel e Jacó".
Um monumento de extraordinária importância no âmbito da história e da pintura é a tela de Luca Giordano: "São Januário invoca o fim da Peste em Nápoles". Extraordinário é, também, o tecto, com uma particular decoração de "ramagens" de estuque branco e ouro datada do século XVIII. Ao centro está uma escrivaninha com pedra dura empregue sobre um fundo de pórfiro da Oficina das Pedras Duras de Florença, oferta do Grão-Duque da Toscânia Leopoldo II a Fernando I.

Sala XV: Sala da Pintura de Paisagens
Nesta sala estão pintadas paisagens do século XVI ao século XIX; ao centro encontra-se uma escrivaninha com o tampo em mármore, oferecida pelo barão Manganelli a Fernando II de Bourbon em 1830. O tecto e o espelho remontam ao tempo de Carlos de Bourbon. Nesta sala encontra-se a obra de A. De Aloysio intitulada "Colocação da primeira pedra da Igreja de São Francisco de Paula", de 1817.

Sala XVI: Sala de Luca Giordano
O refinado tecto com estuques branco-ouro é do tempo de Carlos de Bourbon; os móveis são de estilo neo-rococó e de manufactura napolitana. Entre as pinturas encontra-se a representação de uma série de batalhas inspiradas na antiguidade, obra de Luca Giordano, na sua fase barroca, inspirado em Pietro da Cortona.

Sala XVII: Sala da Pintura do Século XVII
Desta sala acedia-se, no século XVII, à Sala do Vice-Rei (actual Sala XXII). Entre as pinturas que representam o desenvolvimento meridional e romano da pintura seiscentista encontra-se o famoso Regresso do filho pródigo, de Mattia Preti, e o Cristo entre os doutores, de Giovanni Antonio Galli dito "Lo Spadarino".

Sala XVIII: Sala da Pintura Emiliana
Nesta sala estão reunidas pinturas seiscentistas da região emiliana provenientes da colecção Farnese, a qual foi herdada por Carlos de Bourbon e trasportada para Nápoles. Encontram-se presentes nesta sala as obras, de 1613, A Sagrada Família na oficina de São José e Doação de Santa Isabel, de Bartolomeo Schedoni, e O Sonho de São José, de Guercino.

Sala XIX: Sala da Natureza Morta
É possível admirar nesta sala numerosos exemplos de naturezas mortas seiscentistas e setecentistas, um género que, em Nápoles, teve grande fortuna, sobretudo no século XVII, no rasto da tradição flamenga.

Sala XX: Sala Neoclássica
Antiga Sala das Colunas, é caracterizada pelo gosto neoclássico, tanto no ambiente como nas obras expostas. Nas paredes encontram-se registos de Tischbein inspirados nos vasos gregos de Lord Hamilton. Ao centro da sala encontra-se uma escrivaninha de bronze coberto e decorado com mármore, que tomam a forma de objectos provenientes das escavações de Pompeia.

Sala XXI: (antiga Sala das Pilastras)
É notável uma mesa de centro da época napoleónica.

Sala XXII: Salão de Hércules
O salão, antiga Sala do Vice_Rei, costruído em meados do século XVII, acolhe uma série de retratos dos vice-reis. Actualmente apresenta tapeçarias da série de Cupido e Psiquê, da Real Fábrica de Nápoles, tecidas por Pietro Duranti, sobre cartões de Fedele e Alessandro Fischetti, entretra 1783 e 1789. A organização remonta a meados do século passado, quando adquiriu a função setecentista de salão de baile. Também é digno de nota o relógio do parisiense Thuret, activo na primeira metade do século XVIII, o qual representa Atlante que rege o mundo.

Sala XXIII
Nas paredes encontram-se algumas pinturas de Francesco Celebrano, as quais representam "As Estações", destinadas a um lugar campestre da Realeza Bourbónica, talvez Carditello.

Sala XXIV: Sala de Dom Quixote
Nesta sala estão expostos os esboços de pinturas realizadas por pintores napolitanos, destinados a servir de modelos para a tecelagem de uma grande série de tapeçarias da fábrica de Nápoles. Estas tapeçarias foram produzidas entre 1758 e 1779
e, actualmente, encontram-se no Palazzo del Quirinale, em Roma. O tema reproduzido é o das aventuras de Dom Quixote.

Sala XXV: Sala da Pintura de Paisagens Napolitanas do Século XIX
Nesta sala estão conservadas algumas pinturas de Pasquale Mattei representando as festas do Reino: A festa de Santa Rosália em Palermo, de 1855, A feira de São Januário em Abruzzo, de 1851, A procissão do Corpus Christi em Monte Cassino, de 1858,e A procissão ao Santuário da Senhora do poço em Capruso próximo de Bari, de 1853.
Da autoria de Salvatore Fergola encontram-se presentes algumas paisagens: A floresta ao crepúsculo e Os náufragos ao luar.

Salas XXVI, XXVII e XXVIII: Afrescos de Domenico Antonio Vaccaro
Nesta sala encontram-se vários afrescos da autoria de Domenico Antonio Vaccaro, entre as quais se destacam: A alegoria da união matrimonial e A alegoria da Majestade Régia, os quais decoram os degraus ao lado da alcova da rainha Maria Amália da Saxónia.

Sala XXIX: Sala do Corpo da Guarda
Nesta sala encontram-se tapeçarias da manufactura napolitana: O Ar, A Terra e A Água, realizadas depois de a maquinaria e os tecelões da tapeçaria Grã-ducal de Florença, então fechada, terem sido transferidos para Nápoles para dar vida à Real Fábrica Bourbónica.

Sala XXX: Capela Real
A Capela Real, dedicada à Assunção de Maria, foi construída em meados do século XVII segundo um desenho de Cosimo Fanzago, tendo estado no centro da vida musical napolitana entre os séculos XVII e XVIII. Durante o restauro efectuado na primeira metade do século XIX por António de Simone e Gaetano Genovese, a original disposição barroca permaneceu inalterada, mas o aparato decorativo foi modificado radicalmente. São de Cammarano os caixotões em madeira na abside, com pinturas representando O Pai Eterno entre Jesús Cristo, a Virgem e os Evangelhos, os anjos e querubins, inspirado na arte bizantina, juntamente com as alegorias da Fé, da Esperança, da Religião e da Caridade, e os Anjos festejando com ramos de oliveira e palmeira na faixa em mármore fingido. Deve-se ao arquitecto António de Simone a cenográfica estrutura em madeira pintada em mármore fingido que transformou toda a parte da abside. No entanto, o fulcro da Capela é seguramente o altar barroco de Dionisio Lazzari, realizado em 1674
para a Igreja de Santa Teresa dos Descalços e trasportado para a Capela Real por Joaquim Murat. O altar é, de facto, uma preciosa obra em bronze dourado, pedra dura, ágata, lápis-lazúli, ónix, jaspe e ametista. A Capela foi danificada por uma bomba em 1943 e ainda está em restauro, embora conserve obras relevantes e actualmente esteja adaptada a museu; estão ali expostos o precioso Presépio do Banco de Nápoles, um Cristo Ressuscitado em bronze dourado atribuido a Vinaccia, São Miguel que abate os demónios de autor desconhecido oriundo de Trapani, dois baixos-relevos em bronze e ágata de Francesco Righetti representando Fernando de Castela e Francisco de Paula e, por fim, uma casula em seda branca e rosa oferecida por Fernando de Bourbon e carregando as suas iniciais.

Os Jardins Reais
A área dos jardins já estava coberta de verde desde o século XIII, na época da Dinastia Angevina. No período de domínio dos vice-reis foi organizada como parque e enriquecida com estátuas, alamedas e "jardins secretos".
Em meados do século XIX, o arquitecto Gaetano Genovese conduziu os trabalhos de ampliação e restauro do palácio, tendo confiado os jardins aos cuidados do botânico Federico Corrado Denhart, o qual inseriu numerosas magnólias, azinheiras e plantas raras, entre as quais se encontram a Persea Indica, a Strelitzia Niccolai e a Cycas Revoluta. Foi deste modo que o jardim adquiriu o seu novo aspecto "à inglesa" e se tornou num destino ao alcance dos visitantes. Às transformações oitocentistas também se deve a inserção de um gradeamento de ferro com lanças de pontas douradas, a qual dá acesso a uma alameda delimitada por estátuas dos Palafreneiros, oferecidas pelo czar Nicolau I da Rússia e mais conhecidas pelo nome de Cavalos de Bronze, e também a um outro jardim de pequenas dimensões: O Jardim d'Itália, no lado da Piazza Trieste e Trento, o qual foi decorado com camélias e "palmeiras de São Pedro", apresentando ao centro A Itália, escultura marmórea de Francesco Liberti. Ao fundo do jardim encontram-se as cavalariças oitocentistas, ladeadas por manejos da década de 1880 e destinados ao uso expositivo.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Museu Arqueológico Nacional de Nápoles

Museu Arqueológico Nacional de Nápoles

Entrada do Museu
O Museu Arqueológico Nacional é um museu de Nápoles que abriga uma extensa coleção de arte da Antigüidade. É o sucessor direto do antigo Museu Real Bourbon, um dos mais antigos e importantes da Europa.
Está instalado em um edifício histórico, inaugurado em 1615 como o Palácio dos Estudos Reais, sede da Universidade de Nápoles. Com a mudança da Universidade em 1777o Rei Fernando IV encarregou o arquiteto Ferdinando Fuga para adaptar o edifício para abrigar o Museu Bourbon e a Real Biblioteca, incluindo a construção de um piso adicional nas alas laterais.
No final do século a coleção foi grandemente ampliada com a transferência da Coleção Farnese do Museu de Capodimonte e de várias residências reais, seguida dos achados arqueológicos de Pompéia, Herculano e Stabiae. Durante o século XIX o museu continuou recebendo material novo, tanto de colecionadores privados como de escavações no sul da Itália. Com a Unificação Italiana a instituição passou ao controle estatal e foi renomeada como Museu Nacional. Em 1925 a Biblioteca foi transferida para outro local, e em 1957 foi a vez das pinturas, que se tornaram o núcleo do Museu Nacional de Capodimonte, restando em sua coleção somente a seção arqueológica.
Atualmente o prédio passa por um processo de extensivo restauro, e está programada uma completa reestruturação das salas de exposição e da museografia.

Coleção Egípcia
Composta basicamente de duas coleções privadas, Borgia (século XVIII) e Picchianti (século XIX), e inclui peças autênticas e muitos artefatos pseudo-egípcios provenientes de Pompéia e de outras cidades da Campânia. As peças egípcias datam desde o Reino Antigo (2.700 - 2.200 a.C.) até a era Ptolemaica.

Epígrafes
Com importantes inscrições gregas, oscas, etruscas e latinas de Roma, Magna Grécia e Campânia, sendo de interesse especial as inscrições jurídicas e as tabuletas de Heracléia.

O Gabinete Secreto
Criado em 1817 como Gabinete de Objetos Obscenos, para coletar uma multiplicidade de peças que só podiam ser conhecidas através de autorização especial do Ministério, e desde que o solicitante fosse do sexo masculino. Em meados de 1850 o Gabinete foi fechado à visitação, mas foi reaberto após a Unificação, quando a coleção foi publicada em catálogo em 1866. No final do século este acervo foi disperso, mas desde então tem sido reconstituído e ampliado, e futuramente deve ser novamente exposto.

Sala do Meridiano
Originalmente ocupada pela Real Biblioteca, esta sala foi decorada com afrescos de Pietro Bardellino no teto, mostrando A Virtude coroando Ferdinando e Maria Carolina. As paredes receberam 18 telas de Giovan Evangelista Draghi ilustrando a atuação de Alessandro Farnese nos Países Baixos. Recentemente a sala recebeu um grupo de pinturas da escola napolitana da primeira metade do século XIX. O meridiano instalado no piso data do século XVIII, quando estava sendo cogitado instalar um observatório astronômico no edifício, e é uma peça notável pela beleza do desenho dos signos do Zodíaco.

A batalha de Issus, mosaico
Esta seção é formada por fragmentos de decoração de pisos e paredes de Herculano, Pompéia e Stabiae, com emblemas, cenas e figuras de inspiração grega. São importantes as cenas de autoria de Dioscórides de Samos e os mosaicos da Casa do Fauno de Pompéia, com uma famosa cena da Batalha de Issus, entre Alexandre Magno e as tropas de Dario, além de itens na rara técnica de opus sectilium, uma composição com mármores de várias cores.

Numismática
O museu possui uma extensa e preciosa coleção de moedas e medalhas, em sua maior parte integrantes da Coleção Farnese, com cerca de duzentos mil itens, que vão desde as mais antigas cunhagens da Grécia até o fim do Império Romano, e outra seção compreende a Idade Média até a era Bourbon.

Perseu e Andrômeda, afresco pompeano da Casa dos Dióscuros
Embora com reduzido número de exemplares, removidos de casas daquela cidade, é de grande importância por apresentar um rico panorama da pintura decorativa romana dentre os séculos II a.C. e I d.C., a qual é sucessora direta da pintura grega, hoje praticamente toda desaparecida. As peças mostram temas mitológicos, literários, naturezas-mortas, paisagens, retratos e cenas da vida diária e das cerimônias religiosas relativas aos lares e penates, além de alguns exemplares com motivos arquiteturais.

As jóias Farnese
A coleção Farnese de gemas gravadas foi originada com a coleção reunida por Cosimo de' Medici e Lorenzo, o Magnífico durante o século XV, e ampliada mais tarde pela família Farnese. Entre suas atrações está a Taça Farnese, um dos maiores camafeus do mundo, feito de uma peça de sardônica proveniente da corte dos Ptolomeus.

Pré-história
Nesta seção são exibidos artefatos do Paleolítico até a Idade do Bronze provenientes de diversos locais na Itália.

Dionísio e Ariadne, painel em vidro, Pompéia
Na prataria se encontra uma notável reunião de peças encontradas na Casa de Menandro em Pompéia, única por sua variedade e qualidade da artesania. Os marfins incluem peças de jogos, objetos de uso diário, ornamentos e peças de toucador. Nos vidros se destacam dois painéis com representações de Dionísio e o famoso Vaso Azul, todos de Pompéia. Por fim, as terracotas mostram lâmpadas, vasilhas de cozinha e vasos ornamentais.

Culturas gregas da Baía de Nápoles
Apresentando os achados relativos às civilizações que floresceram na Baía de Nápoles e arredores no período da colonização grega desde o século VIII a.C., do assentamento de Pithekoussai em Ísquia, até a sofisticada cultura helenística tipificada pela Villa dei Papyri em Herculano, origem das cidades gregas de Cumae e Neapolis, que continuaram a prosperar até os dias de hoje como a moderna Nápoles. As peças mais importantes desta seção são a reconstituição de uma casa grega da Punta Chiarito (séculos VIII-VII a.C.), achados da Villa dei Papyri (século I), e itens provenientes de grandes escavações empreendidas no século XVIII, com estatuária em bronze e mármore, e cerca de 2 mil rolos de papiro. Futuramente serão mostrados objetos originários de Cumae e da antiga Neapolis que ora estão em depósito.

Atlas
Esta seção é particularmente rica em obras gregas e romanas, de várias procedências, muitas delas também originalmente na Coleção Farnese, o que serve como precioso testemunho do colecionismo renascentista. Possui esculturas honorárias de Pompéia e Herculano, bustos e retratos gregos e romanos, obras originais da Grécia antiga desde o Período Severo até o Helenismo e uma série ainda mais extensa de cópias romanas.

Magna Grécia
Com grande número de objetos encontrados na região da Magna Grécia entre 1700 e 1800, além de importantes acréscimos de coleções privadas, com terracotas, vasos, pinturas funerárias, joalheria, moedas e uma diversidade de outros materiais provenientes de Paestum, Metaponto, Locri, Ruvo e Canosa.

Povos Etruscos e Italiotas na Campânia
Ainda esperando reorganização dos seus espaços, esta coleção compreende objetos de povoamentos etruscos e italiotas na região da Campânia (Nola, Santa Maria Capua Vetere, Calvi, Sant'Agata dei Goti, Alife e Teano), mostrando especialmente a influência grega.

Templo de Ísis em Pompéia
Aqui se mostram as pinturas murais removidas do Templo de Ísis em Pompéia, realizadas num estilo helenístico de tradição romana mas com muitas características egípcias, além de esculturas, inscrições e objetos de culto.

Modelo de Pompéia
Um grande modelo da cidade em seu apogeu, construído em madeira, cortiça e papel, constituindo um precioso testemunho da erudição acadêmica do século XIX, com grande minúcia de detalhes e mostrando testemunhos únicos de diversos elementos decorativos encontrados nas escavações da cidade, como mosaicos e pinturas, que mais tarde foram destruídos.

Arenas e Banhos
Um espaço destinado à apresentação de armaduras de gladiadores, afrescos e objetos de casas de banho de Pompéia.

Serviços
Além de suas coleções permanentes o museu oferece uma série de programas educativos e didáticos relativos às coleções do museu e de sítios arqueológicos mantidos pela Soprintendenza per i Beni Archeologici di Napoli e Caserta. Oferece ainda consultorias especializadas, e organiza cursos e palestras.
O museu possui uma biblioteca especializada em Arqueologia, com muitas obras raras datando do século XV em diante, além de periódicos e outras publicações.




quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Giotto

Giotto di Bondone mais conhecido simplesmente por Giotto, (Colle Vespignano, 1266 — 1337) foi um pintor e arquiteto italiano. Nasceu perto de Florença foi discípulo de Cimabue, e o introdutor da perspectiva na pintura, durante o renascimento.
Devido ao alto grau de inovação de seu trabalho (ele é considerado o introdutor da perspectiva na pintura da época), Giotto é considerado por Bocaccio o precursor da pintura renascentista. Ele é considerado o elo entre o renascimento e a pintura medieval e a bizantina.

A característica principal do seu trabalho é a identificação da figura dos santos como seres humanos de aparência comum. Esses santos com ar humanizado eram os mais importantes das cenas que pintava, ocupando sempre posição de destaque na pintura. Assim, a pintura de Giotto vem ao encontro de uma visão humanista do mundo, que vai cada vez mais se firmando até ao Renascimento.

Giotto, forma diminutiva de Ambrogio ou Angiolo, não se sabe ao certo, adotou a linguagem visual dos escultores, procurando obter volume e altura realista nas figuras em suas obras. Comparando suas obras com as do seu mestre, elas são muito mais naturalistas, sendo Giotto o pioneiro na introdução do espaço tridimensional na pintura européia. Em seus trabalhos pela Itália, Giotto fez amizades como o Rei de Nápoles e Bocaccio, que o menciona em seu livro, Decameron.

O Papa Benedito XI quis empregar Giotto, que passaria então dez anos em Roma. Posteriormente, trabalharia para o Rei de Nápoles. Em 1320, ele retornou à Florença, onde chefiaria a construção da Catedral de Florença. Giotto morreu quando pintava "O Juízo Final" para a capela de Bargello, em Florença. Durante uma escavação na Igreja de Santa Reparata, em Florença, foram descobertos ossos na mesma área que Vasari tinha relatado como o túmulo de Giotto. Um exame forense parece ter confirmado que a ossada era mesmo de Giotto.
Os osso era de um homem baixo, que pode ter sofrido de uma forma de nanismo. Isso apóia uma tradição da Igreja da Santa Cruz de que um anão que aparece em um dos afrescos é um auto-retrato de Giotto.

De acordo com o historiador Giorgio Vasari, ele teria começado a desenhar ainda com 11 anos, quando era um pastor de ovelhas, fazendo desenhos em rochas. O artista Cimabue, um dos maiores pintores da Toscana, junto com Duccio (em Siena), o teria visto desenhando uma ovelha e pediu ao pai de Giotto para levá-lo para ser o seu aprendiz. Posteriormente, Giotto teria pintado uma mosca no nariz de uma figura com tanta habilidade que seu mestre teria tentado afugentar o inseto várias vezes antes de perceber que se tratava de uma pintura.

Em 1280, Giotto foi com Cimabue para Roma onde havia uma escola de pintores de afrescos, onde o mais famoso era Pietro Cavallini. O famoso escultor florentino Arnolfo di Cambio, de quem Giotto se inspirou bastante em seus afrescos, também estava trabalhando em Roma. De Roma, Cimabue foi para Assis para pintar vários grandes afrescos na recém-construída Basílica de São Francisco de Assis. É possível, mas não certo, que Giotto tenha ido com ele. O primeiro trabalho importante de Giotto teria sido a série de afrescos que contam a vida de São Francisco no teto da Basílica. Há, no entanto, dúvidas quanto à autoria da obra. Percebe-se a influência da pintura romana no trabalho de Giotto, assim como a influência do gótico francês, bem como da arte bizantina. A aparência realista das figuras causou controvérsia na época. A cena da Crucificação pintada em Florença mostra a clara distinção entre o trabalho de Giotto e o de seu mestre.

De acordo com Vasari, outra obra da fase inicial de Giotto foram os afrescos da Santa Maria Novella e o enorme crucifixo, também na mesma igreja, de 5 metros de altura. A obras foram datas de 1290 e, portanto, contemporâneas aos afrescos de Assis.

Em 1287, aos 20 anos, Giotto se casou e foi para Roma. Há poucos traços de sua presença na cidade. A Basílica de São João de Latrão tem uma pequena série de afrescos, pintados a pedido do Papa Bonifácio VIII. A fama de Giotto como pintor se espalhou. Ele foi chamado para trabalhar em Pádua e também em Riini, onde somente um Crucifixo permanece no Templo Malatestiano. Esse trabalho influenciou a chamada Escola de Rimini, de Giovanni e Pietro da Rimini.

A Capella degli scrovegni, também chamada Arena Chapel, em Pádua, é considerada o maior trabalho de Giotto. Ele retrata cenas da Virgem Maria e da Paixão de Cristo e foi criada entre 1303 e 1310.

Aqui, ele quebra as tradições da narração de cenas medievais. A cena da morte de Cristo foi admirada por muitos artistas renascentistas pela força dramática da cena em seu trabalho. Michelangelo, que estudou a obra de Giotto, inspirou-se nesse trabalho para a pintura da Capela Sistina.

Como era comum na decoração do período medieval, a porção oeste da parede é dominada pelo Julgamento Final. São muitos os painéis famosos da Capela, incluindo um com a Adoração dos Magos, em que aparece uma Estrela de Belém semelhante a um cometa. Giotto viu o Cometa Halley em sua aparição em 1301 no céu italiano e é bem provável que esse objeto astronômico tenha influenciado a estrela da Adoração.
Vários outros pintores do norte da Itália foram influenciados por Giotto, incluindo Guariento, Giusto de' Menabuoi, Jacopo Avanzi e Altichiero.

Um documento de 1313 mostra a presença de Giotto em Roma, onde ele executou um mosaico para a antiga Basílica de São Pedro, encomendado pelo Cardeal Jacopo Stefaneschi.

Em 1318, ele começou a pintar quatro capelas para quatro diferentes famílias de Florença na Igreja da Santa Cruz. As composições de Giotto influenciaram mais tarde a Cappela Brancacci, de Masaccio.


sexta-feira, 21 de novembro de 2008

A Divina Comédia

A Divina Comédia (do italiano "Comedia" ou "Commedia", mais tarde batizada de "Divina" por Giovanni Boccaccio) é um poema de viés épico e teológico da literatura italiana e da literatura mundial escrita por Dante Alighieri, estando dividido em três partes: Inferno, Purgatório e Paraíso. O poema chama-se "Comédia" não por ser engraçado mas porque termina bem (no Paraíso). Era esse o sentido original da palavra Comédia, em contraste com a Tragédia, que terminava, em princípio, mal para os personagens. Se desconhece a data exata em que foi escrita, mas as opiniões mais reconhecidas asseguram que o Inferno pode ter sido composto entre 1304 e 1307-1308, o Purgatório de 1307-1308 há 1313-1314 e por último o Paraíso de 1313-1314 há 1321 (esta última data fecha com a morte de Dante).

Dante escreveu a "Comédia" no seu dialeto local, ao criar um poema de estrutura épica e com propósitos filosóficos, Dante demonstrava que a língua toscana (muito aproximada do que hoje é conhecido como língua italiana, ou língua vulgar, em oposição ao latim, que se considerava como a língua apropriada para discursos mais sérios) era adequada para o mais elevado tipo de expressão, ao mesmo tempo que estabelecia o toscano como dialecto padrão para o italiano. Os mais variados pintores de todos os tempos criaram ilustrações sobre ela, se destacando Botticelli, Gustave Doré e Dalí. Dante a escreveu no dialeto toscano, matriz do italiano atual.

A Divina Comédia é hoje a fonte original mais acessível para a cosmovisão medieval, que dividia o Universo em círculos concêntricos. A obra moderna mais acessível a respeito dessa cosmovisão é The Discarded Image por C.S. Lewis. Foi ilustrada por Gustave Doré.

Estrutura

Está dividida em três partes, Inferno, Purgatório e Paraíso. Cada uma de suas partes está dividida em cantos, compostos de Tercetos. A composição do poema é baseada no simbolismo do número 3 (número que simboliza a Santíssima Trindade, assim como também, simboliza o equilíbrio e a estabilidade em algumas culturas, e que também tem relação com o triângulo).

Possuí três personagens principais: Dante, que personifica o homem, Beatriz que personifica a fé e Vírgilio que personifica a razão; cada estrofe tem três versos e cada uma de suas três partes contêm 33 cantos.

Os 3 livros que compõem a Divina Comédia são divididos em 33 cantos (sendo que o Inferno possui um canto a mais que serve de introdução ao poema), com aproximadamente 40 a 50 tercetos. No total são 100 cantos e 14.233 versos. Os lugares de cada livro (o inferno, o purgatório e o paraíso) são divididos em nove círculos cada, formando no total 27 (3 vezes 3 vezes 3) níveis. Os 3 livros rimam no último verso, pois terminam com a mesma palavra: stelle, que significa - estrelas -.

Sinopse

A Divina Comédia propõe que a Terra está no meio de uma sucessão de círculos concêntricos que formam a Esfera armilar e o meridiano onde é Jerusalém hoje, seria o lugar atingido por Lúcifer ao cair das esferas mais superiores e que fez da terra santa o Portal do Inferno. Portanto o Inferno, responderia pela depressão do Mar Morto onde todas as águas convergem, e o Paraíso e o Purgatório seriam os segmentos dos círculos concêntricos que juntos respondem pela mecânica celeste e os cenários comentados por Dante num poema que envolve todos os personagens bíblicos do antigo ao novo testamento são costumeiramente encontrados nas entranhas do inferno sendo que os personagens principais da Divina Comédia são o próprio autor, Dante Alighieri, que realiza uma jornada espiritual pelos três reinos do além-túmulo, e seu guia e mentor nessa empreitada é Virgílio o proprio autor da Eneida.

Inferno

Dante e Virgílio chegam ao vestíbulo do Inferno (que tem nove círculos). Entre o vestíbulo e o 1°Círculo, está o rio Aqueronte, no qual encontra-se Caronte, o barqueiro que faz a travessia das almas. Porém Dante é muito pesado para fazer a travessia no barco de Caronte, pelo fato de ser vivo. Então Caronte os envia para outro barco. É através deste barco que Virgílio e Dante atravessam o rio.

O limbo é o local onde as almas que não puderam escolher a Cristo, mas escolheram a virtude, vivem a vida que imaginaram ter após a morte. Não têm a esperança de ir ao céu pois não tiveram fé em Cristo. Aqui também ficam os não batizados e aqueles que nasceram antes de Cristo, como Virgílio. Na mitologia clássica, o Limbo não fica no inferno, mas suspenso entre o céu e o mundo dos mortos. Na poesia de Dante não se tem uma noção precisa de como se chega lá, pois o poeta desmaia no ante-inferno e quando acorda já está no Limbo, o primeiro círculo infernal.

No Limbo, Dante encontra Homero (século IX ou VIII a.C.) a quem tradicionalmente se atribui a autoria dos poemas épicos Ilíada, que narra a queda de Tróia, e Odisséia, que narra o retorno de Ulisses da guerra de Tróia e suas viagens; Ovídio (43 a.C.a 17 d.C.) poeta romano autor de várias obras, entre as quais obras de mitologia como: Metamorfoses; e Horácio (65 a.C.a 8 d.C.) poeta romano lírico e satírico, autor de várias obras primas da língua latina, entre as quais Ars Poetica.

No segundo círculo começa o Inferno propriamente dito. Nesse círculo ficam os luxuriosos que sofrem com uma tempestade de vento. Lá ele encontra Francesca de Rimini e seu amante, que é o seu cunhado.

No terceiro círculo os gulosos são flagelados por uma chuva putrefacta e são vigiados pelo mitológico cão de três cabeças, Cérbero.

No quarto círculo desfilam os avarentos empurrando pesos enormes.

No quinto círculo ficam os iracundos, imersos em lama ardente do Pântano do Estige. Os insolentes soberbos também. Para atravessar o pântano eles apanham boleia do demônio Etagias, este os deixa na porta da cidade de Dite. Essa cidade tem muralhas de fogo e está na parte mais funda do Inferno, onde as culpas são muito mais fortes e as punições também. Os demônios não querem que Dante nem Virgílio entrem, pois Dante não está morto. Então aparecem as três Fúrias (também chamadas Parcas), e com elas aparece a Medusa, que petrifica quem a olhe. Um enviado celeste chega e abre as portas de Dite.

No sexto círculo, Dante e Virgílio recomeçam a viagem por dentro de Dite. Lá eles vêem nos túmulos de fogo os hereges. Os hereges eram queimados em fogueiras quando estavam vivos. Em rios de fogo estão os assassinos, os violentos com o próximo e ficam sendo atingidos por flechas dos centauros. Os violentos contra si mesmos são transformados em árvores. Os esbanjadores são perseguidos e devorados por cadelas ferozes e famintas.

No sétimo círculo ficam os violentos com Deus e contra a natureza (os homossexuais). Estão deitados e levam chuva de fogo e os outros além da chuva de fogo ficam caminhando. Os usurários (agiotas) estão sentados e sofrem a chuva de fogo.
Saindo da cidade encontram um precipício que não conseguem cruzar, existe um monstro alado, que voa vagarosamente e os leva até o o fundo do precipício e lá eles encontram o oitavo círculo.

O oitavo círculo é dividido por dez fossos que são ligados por pontes. Aqui as torturas só pioram e os pecados também. Nas saídas dos fossos há três gigantes acorrentados.

No último círculo infernal (nono) não há fogo, e sim frio. Lá ficam os traidores. Os três maiores são Judas, Brutus e Cassius. Lúcifer está lá e devora os três. Então eles finalmente chegam ao centro da Terra e começam a subir para a saída. Nesse túnel eles vislumbram quatro estrelas, o Cruzeiro do Sul (isso mostra que o paraíso fica ao sul do Equador). Para chegar ao Paraíso é necessário antes passar pelo Purgatório.

Purgatório

Segundo Dante, o Purgatório é um espaço intermediário entre o Paraíso e o Inferno, que se encontra na porção austral, sul, do planeta onde existe uma única ilha, Dante encontra nesta ilha uma montanha composta por círculos ascendentes, reservado àqueles que se arrependeram em vida de seus pecados e estão em processo de expiação dos mesmos. No Purgatório as almas assistem às punições das outras almas que por pecarem mais "intensamente" foram para o Inferno.

No início da subida da montanha estão esperando arrependidos tardios, que têm que aguardar a permissão para passarem pela Porta de São Pedro antes de iniciarem suas ansiada subida. Cada dos sete círculos correspondem a um dos Sete pecados capitais, na seguinte ordem: Orgulho, Inveja, Ira, Preguiça, Avareza junto ao Pródigo, Gula e Luxúria. Os Avareza e Pródigo estão juntos no mesmo círculo, pois são os dois extremos, onde o avaro supervaloriza o dinheiro e o Pródigo o desperdiça.

No fim do Purgatório, Dante se despede de Virgílio, pois este não pode ter acesso ao Paraíso. Lá encontra Beatriz, sua amada quando estava na Terra. Esta o leva até o rio Lete. Quando Dante bebe a água do Lete, esta apaga a sua memória, seus pecados, é como se Dante tivesse renascido. Existe uma lenda que diz que o Paraíso fica entre o rio Tigre e o Eufrates. Quando Dante vê o rio ele julga ser o Tigre no atual Iraque. Finalmente Dante chega ao Paraíso

Paraíso

Existem sete céus móveis, cada céu corresponde a um planeta, sendo o primeiro o da Lua. Em cada um dos céus Dante é abençoado e depois vai ao encontro de Deus.

O oitavo céu móvel, ou o primeiro céu fixo, é onde as estrelas têm a configuração que vemos no "nosso" céu. Depois vão para o segundo céu fixo, ou nono céu móvel, que é o céu Cristalino ou seja, não tem estrelas, é quase só luz, mas é material. O décimo céu é só luz, é o terceiro céu fixo, e é imaterial. No centro desse céu há uma rosa branca, que é Deus rodeado por almas, espíritos bons (eleitos, bem aventurados, santos, anjos). É uma rosa poética. No centro da rosa existe um triângulo, a Santíssima Trindade. São Bernardo acompanha Dante a partir do terceiro céu. Dante então vê Deus, pois São Bernardo intercede junto à Virgem Maria e esta concede sua visita.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Dante Alighieri

Dante Alighieri (Florença, 29 de Maio de 1265 — Ravena, 13 ou 14 de Setembro de 1321) foi um escritor, poeta e político italiano. É considerado o primeiro e maior poeta da língua italiana, definido il sommo poeta ("o sumo poeta").

Foi muito mais do que apenas um literato: numa época onde apenas os escritos em latim eram valorizados, redigiu um poema, de viés épico e teológico, La Divina Commedia (A Divina Comédia), que se tornou a base da língua italiana moderna e culmina a afirmação do modo medieval de entender o mundo. Nasceu em Florença, onde viveu a primeira parte da sua vida até ser injustamente exilado. O exílio foi ainda maior do que uma simples separação física de sua terra natal: foi abandonado por seus parentes. Apesar dessa condição, seu amor incondicional e capacidade visionária o transformaram no mais importante pensador de sua época.

Primeiros anos de vida e família

Não há registro oficial da data de nascimento de Dante. Ele informa ter nascido sob o signo de Gêmeos, entre fim de Maio e meados de Junho. A referência mais confiável é a data de 29 de maio de 1265. Dante, na verdade, é uma abreviação de seu real nome, Durante. Nasceu numa importante família florentina (cujo apelido era, na realidade, Alaghieri) comprometida politicamente com o partido dos Guelfos, uma aliança política envolvida em lutas com outra facção de florentinos: os Gibelinos. Os Guelfos estavam ainda divididos em "Guelfos Brancos" e "Guelfos Negros". Dante, no Inferno (XV, 76), pretende dizer que a sua família tem raízes na Roma Antiga, ainda que o familiar mais antigo que se lhe conhece (citado pelo próprio Dante, no livro Paraíso, (XV, 135), seja Cacciaguida do Eliseu, que terá vivido, quando muito, à volta do ano 1100 (o que, relativamente ao próprio Dante, não é muito antigo).

O seu pai, Alighiero di Bellincione, foi um "Guelfo Branco'. Não sofreu, porém, qualquer represália após a vitória do partido Gibelino na Batalha da Montaperti. Essa consideração por parte dos próprios inimigos denota, com alguma segurança, o prestígio da família.

A mãe de Dante chamava-se Dona Bella degli Abati, nome algo comentado por significar "a bela dos abades", ainda que Bella seja uma contracção de Gabriella. Morre quando Dante conta apenas com 5 ou 6 anos de idade. Alighiero rapidamente se casa com Lapa di Chiarissimo Cialuffi. (Há alguma controvérsia quanto a esse casamento, propondo alguns autores que os dois se tenham unido sem contrair matrimonio, graças a dificuldades levantadas, na época, ao casamento de viúvos). Dela nasceram o irmão de Dante, Francesco, e Tana (Gaetana), sua irmã.

Com a idade de 12 anos, em 1277, sua família impôs o casamento com Gemma, filha de Messe Manetto Donati, prática comum -- tanto no arranjo quanto na idade -- na época. Era dada uma importância excepcional à cerimónia que decorria num ambiente muito formal, com a presença de um notário. Dante teve vários filhos de Gemma. Como acontece, geralmente, com pessoas famosas, apareceram muitos supostos filhos do poeta. É provável, no entanto, que Jacopo, Pietro e Antonia fossem, realmente, seus filhos. Antonia tomou o hábito de freira, com o nome de Irmã Beatriz. Um outro homem, chamado Giovanni, reclamou também a filiação mas, apesar de ter estado com Dante no exílio, restam algumas dúvidas quanto à pretensão.

Educação e Poesia

Pouco se sabe sobre a educação de Dante, presumindo-se que tivesse estudado em casa, de forma autodidata. Sabe-se que estudou a poesia toscana, talvez com a ajuda de Brunetto Latini (numa idade posterior, como se dirá de seguida). A poesia toscana centrava-se na "Scuola poetica siciliana", um grupo cultural da Sicilia que se dava a conhecer, na altura, na Toscânia. Esse interesse depressa se alargou a outros autores, dos quais se destacam os menestréis e poetas provençais, além dos autores da Antiguidade Clássica latina (de entre os quais elegia, preferencialmente, Virgílio, ainda que também tivesse conhecimento da obra de Horácio, Ovídio,Cícero e, de forma mais superficial, Tito Lívio, Séneca, Plínio e outros de que encontramos bastantes referências na Divina Comédia.

É importante referir que durante estes séculos escuros (em italiano "Secoli Bui", expressão usada por alguns para referir-se à Idade Média, designando-a como "Idade das Trevas" - noção que hoje em dia é rebatida por muitos historiadores que demonstram que essa época foi muito mais rica culturalmente do que aquilo que a tradição pretende demonstrar), a Península Itálica era politicamente dividida em um complexo mosaico de pequenos estados, de modo que a Sicília estava tão longe, cultural e politicamente, de Florença quanto a Provença. As regiões do que hoje é a Itália ainda não compartilhavam a mesma língua nem a mesma cultura, também em virtude das vias de comunicação deficitárias. Não obstante, é notório o espírito curioso de Dante que, sem dúvida, pretendia estar a par das novidades culturais a um nível internacional.

Aos dezoito anos, com Guido Cavalcanti, Lapo Gianni, Cino da Pistoia e, pouco depois, Brunetto Latini, Dante lança o Dolce Stil Nuovo. Na Divina Comédia (Inferno, XV, 82), faz-se uma referência especial a Brunetto Latini, onde se diz que terá instruído Dante. Tanto na Divina Comédia como na Vita Nuova depreende-se que Dante se terá interessado por outros meios de expressão como a pintura e a música.

Ainda jovem (18 anos), conheceu Beatrice Portinari, a filha de Folco dei Portinari, ainda que, crendo no próprio Dante, a tenha fixado na memória quando a viu pela primeira vez, com nove anos (teria Beatriz, nessa altura, 8 anos). Há quem diga, no entanto, que Dante a viu uma única vez, nunca tendo falado com ela. Não há elementos biográficos que comprovem o que é que seja.

É difícil interpretar no que consistiu essa paixão, mas, é certo, foi de importância fulcral para a cultura italiana. É sob o signo desse amor que Dante deixa a sua marca profunda no Dolce Stil Nuovo e em toda a poesia lírica italiana, abrindo caminho aos poetas e escritores que se lhe seguiram para desenvolverem o tema do Amor (Amore) que, até então, não tinha sido tão enfatizado. O Amor por Beatriz (tal como o amor que Petrarca demonstra por Laura, ainda que numa perspectiva diferente) aparece como a justificativa da poesia e da própria vida, quase se confundindo com as paixões políticas, igualmente importantes para Dante.

Quando Beatriz morre, em 1290, Dante procura refúgio espiritual na filosofia da Literatura latina. Pelo Convívio, sabemos que leu a "De consolatione philosophiae", de Boécio, e a "De amicita", de Cícero. Dedicou-se, pois, ao estudo da filosofia em escolas religiosas, como a Dominicana de Santa Maria Novella, tanto mais que ele próprio era membro da Ordem Terceira de São Domingos. Participou nas disputas entre mísiticos e dialéctios, que se travavam, então, em Florença nos meios académicos, e que se centravam em torno das duas ordens religiosas mais relevantes. Por um lado, os Franciscanos, que defendiam a doutrina dos místicos (São Boaventura), e, por outro, os Dominicanos, que se socorriam das teorias de São Tomás de Aquino. A sua paixão "excessiva" pela filosofia é criticada por Beatriz (representando a Teologia), no Purgatório.

Carreira política em Florença

Dante participou, também, na vida militar da época. Em 1298 combateu ao lado dos cavaleiros florentinos, contra os de Arezzo, na batalha de Campaldino, em 11 de Junho. Em 1294, estava com os soldados que escoltavam Carlos Martel (filho de Carlos de Anjou e herói de Poitiers) quando este estava em Florença.

Foi, também, médico e farmacêutico; não pretendia exercer essas profissões mas, segundo uma lei de 1295, todo nobre que pretendesse tomar um cargo público devia pertencer a uma das Guildas (Corporazioni di Arti e Mestieri - ou seja, "Corporação de Artes e Ofícios"). Ao entrar na guilda dos boticários, Dante podia, assim, aceder à vida política. Esta profissão não era, de todo, inadequada para Dante, já que, na época, os livros eram vendidos nos boticários. De 1295 a 1300, fez parte do "Conselho dos Cem" (o Conselho da Comuna de Florença), onde fez parte dos seis priores que governavam a cidade.

O envolvimento político de Dante acarretou-lhe vários problemas. O Papa Bonifácio VIII tinha a intenção de ocupar militarmente Florença. Em 1300, Dante estava em San Gimignano, onde preparava a resistência dos guelfos toscanos contra as intrigas papais. Em 1301, o papa enviou Carlos de Valois, (irmão de Felipe o Belo, rei de França), como pacificador da Toscânia. O governo de Florença, no entanto, já recebera mal os embaixadores papais, semanas antes, de forma a repelir qualquer influência da Santa Sé. O Conselho da cidade enviou, então, uma delegação a Roma, com o fim de indagar ao certo as intenções do Sumo Pontífice. Dante chefiava essa delegação.

Exílio e morte

Bonifácio rapidamente enviou os outros representantes de Florença de volta, retendo apenas Dante em Roma. Entretanto, a 1 de Novembro de 1301, Carlos de Valois entrava em Florença com os Guelfos Negros que, por seis dias, devastaram a cidade e massacraram grande número de partidários da facção branca. Instalou-se, então, um governo apoiante dos Guelfos Negros, e Cante dei Gabrielli di Gubbio foi nomeado "Podestà" (funcionário público designado pelas famílias mais influentes da cidade). Dante foi condenado, em Florença, ao exílio por dois anos, além de ser condenado a pagar uma elevada multa em dinheiro. Estando ainda em Roma, o papa "sugeriu-lhe" que aí se mantivesse, sendo considerado, a partir de então, um proscrito. Não tendo pago a multa, foi, por consequência, condenado ao exílio perpétuo. Se fosse, entretanto, capturado por soldados de Florença, seria sumariamente executado, queimado vivo.

O poeta participou em várias tentativas para repor os Guelfos Brancos no poder; em Florença, no entanto, devido a diversas traições, todas falharam. Dante, amargurado com o tratamento de que foi alvo por parte dos seus inimigos, afligia-se também com a inacção dos seus antigos aliados.

Declarou solenemente, na altura, que pertencia a um partido com um único membro. Foi nesta altura que começou a fazer o esboço do que viria a ser a "Divina Comédia", poema constituído por 100 cantos, divididos em 3 livros ("Inferno", "Purgatório" e "Paraíso") com 33 cantos cada (exceptuando o primeiro livro que, dos seus 34 cantos, o primeiro é considerado apenas como Canto introdutório).

Foi para Verona, onde foi hóspede de Bartolomeo Della Scala; mudou-se para Sarzana (Ligúria), e, depois, supõe-se que terá vivido algum tempo em Lucca com Madame Gentucca, que o acolheu de forma calorosa (o que, mais tarde, será referido de forma agradecida no Purgatório XXIV,37). Algumas fontes chegam a avançar que terá estado em Paris, entre 1308 e 1310. Outras fontes, menos credíveis, porém, dizem que terá ido até Oxford.

Em 1310, Arrigo VII do Luxemburgo invadia Itália. Dante viu nele a hipótese de se vingar. Escreveu-lhe, bem como a vários príncipes italianos, cartas abertas onde incitava violentamente à destruição do poderio dos Guelfos Negros. Misturando religião e assuntos privados, invocou a ira divina sobre a sua cidade, sugerindo como alvo principal do desagrado de Deus os seus mais acérrimos inimigos pessoais.

Em Florença, Baldo d'Aguglione perdoou a maior parte dos Guelfos Brancos que estavam no exílio, permitindo-lhes o seu regresso. Dante, no entanto, tinha ultrapassado largamente os limites toleráveis para o partido negro nas suas cartas a Arrigo VII, pelo que o seu regresso não foi permitido.

Em 1312, Arrigo assalta Florença, derrotando os "Guelfos Negros". Não há, no entanto, qualquer evidência de uma possível participação de Dante no evento. Há quem diga que Dante se recusou a participar num ataque à sua cidade ao lado de um estrangeiro. Outros, porém, sugerem que o seu nome se tinha tornado incómodo para os próprios "Guelfos Brancos", pelo que qualquer traço da sua passagem foi prontamente apagado para a posteridade. Em 1313, com a morte de Arrigo, morre também a esperança de Dante de rever a sua cidade. Volta para Verona onde Cangrande Della Scala lhe permite viver seguro, confortável e, presume-se, com alguma prosperidade. Cangrande é uma das personagens admitidas por Dante no seu Paraíso (XVII, 76).

Em 1315, Florença foi obrigada, por Uguccione della Faggiuola (oficial militar que controlava a cidade) a outorgar amnistia a todos os exilados. Dante constava na lista daqueles que deveriam receber o perdão. No entanto, era exigido que estes pagassem uma determinada multa e, acima de tudo, que aceitassem participar numa cerimónia de cariz religioso onde se retractariam como ofensores da ordem pública. Dante recusou-se a semelhante humilhação, preferindo o exílio.

Quando Uguccione derrota, finalmente, Florença, a sentença de morte que recaía sobre Dante foi comutada numa pena de prisão, sob a única condição de que teria de ir a Florença jurar solenemente que jamais entraria na cidade. Dante não foi. Como resultado, a pena de morte estendeu-se aos seus filhos.

Dante ainda esperou, mais tarde que fosse possível ser convidado por Florença a um regresso honrado. O exílio era como que uma segunda morte, privando-o de muito do que formava a sua identidade. No Canto XVII do Paraíso, Dante refere o quanto era dolorosa para si a vida de exilado, quando o seu trisavô, Cacciaguida, lhe "profetiza" aquilo que o espera:

. . . Tu lascerai ogne cosa diletta
più caramente; e questo è quello strale
che l'arco de lo essilio pria saetta.
Tu proverai sì come sa di sale
lo pane altrui, e come è duro calle
lo scendere e 'l salir per l'altrui scale . . .



". . . Deixarás tudo aquilo que te agrada
mais profundamente; é esta seta a tal
logo no arco do exílio disparada.
E provarás como é falto de sal
o pão d' outros, e como é dura estrada
subir e sair pelas escadas de al."


(Nota: al = outros)

Paraíso, XVII, 55-60. Quanto à esperança de um dia voltar a Florença, Dante descreve o seu sentimento melancólico, como se já estivesse resignado a essa impossibilidade, no Canto XX do Paraíso:

Se mai continga che 'l poema sacro
al quale ha posto mano e cielo e terra,
sì che m'ha fatto per molti anni macro,
vinca la crudeltà che fuor mi serra
del bello ovile ov'io dormi' agnello,
nimico ai lupi che li danno guerra;
con altra voce omai, con altro vello
ritornerò poeta, e in sul fonte
del mio battesmo prenderò 'l cappello . . .

Se acontecer que o poema sagrado,
em que céu e terra puseram mão,
(magro me fez, de tanto ano passado)
Vencer a crueldade que em prisão
me exila do redil onde, cordeiro,
dormi, oposto aos lobos que o atacam;
Voz e pêlo distinto do primeiro
terei, chegando poeta, e me façam
a testa ornar com folha de loureiro ...

Paraíso, XXV, 1-9. É claro que isto nunca aconteceu. Os seus restos mortais mantêm-se em Ravena, não em Florença.
Guido Novello da Polenta, príncipe de Ravena, convidou-o para aí morar, em 1318. Dante aceitou a oferta. Foi em Ravena que terminou o "Paraíso" e, pouco depois, falecia, talvez de malária, em 1321, com 56 anos, sendo sepultado na Igreja de San Pier Maggiore (mais tarde chamada Igreja de San Francesco). Bernardo Bembo, pretor de Veneza, decidiu honrar os restos mortais do Poeta, erigindo-lhe um monumento funerário de acordo com a dignidade de Dante Alighieri.
Na sepultura, constam alguns versos de Bernardo Canaccio, amigo de Dante, onde se refere a Florença com os seguintes termos:

parvi Florentia mater amoris

"Florença, mãe de pequeno amor"


Obras

A Divina Comédia descreve uma viagem de Dante através do Inferno, Purgatório, e Paraíso, primeiramente guiado pelo poeta romano Virgílio, autor do poema épico Eneida, através do Inferno e do Purgatório e, depois, no Paraíso, pela mão da sua amada Beatriz (com quem, presumem muitos autores, nunca tenha falado e, apenas visto, talvez, de uma a três vezes). Em termos gerais, os leitores modernos preferem a descrição vívida e psicologicamente interessante para a sensibilidade contemporânea do "Inferno", onde as paixões se agitam de forma angustiada num ambiente quase cinematográfico. Os outros dois livros, o Purgatório e o Paraíso, já exigem outra abordagem por parte do leitor: contêm subtilezas ao nível filosófico e teológico, metáforas dificilmente compreensíveis para a nossa época, requerendo alguma pesquisa e paciência. O Purgatório é considerado, dos três livros, o mais lírico e humano. É interessante verificar que é, também, aquele onde aparecem mais poetas. O Paraíso, o mais pesadamente teológico de todos, está repleto de visões místicas, raiando o êxtase, onde Dante tenta descrever aquilo que, confessa, é incapaz de exprimir (como acontece, aliás, com muitos textos místicos que fazem a história da literatura religiosa). O poema apresenta-se, como se pode ver num dos excertos acima, como "poema sagrado" o que demonstra que Dante leva muito a sério o lado teológico e, quiçá, profético, da sua obra.

O poema chama-se "Comédia" não por ser engraçado mas porque termina bem (no Paraíso). Era esse o sentido original da palavra Comédia, em contraste com a Tragédia, que terminava, em princípio, mal para os personagens.

Dante escreveu a "Comédia" no seu dialeto local. Ao criar um poema de estrutura épica e com propósitos filosóficos, Dante demonstrava que a língua toscana (muito aproximada do que hoje é conhecido como língua italiana, ou língua vulgar, em oposição ao latim, que se considerava como a língua apropriada para discursos mais sérios) era adequada para o mais elevado tipo de expressão, ao mesmo tempo que estabelecia o Toscano como dialecto padrão para o italiano.

Outras obras importantes

De Vulgari Eloquentia ("Sobre a Língua vulgar", escrita, curiosamente, em latim);
Vita Nova ("Vida Nova"), onde insere sonetos, comentados, onde narra a história do seu amor por Beatriz. A língua utilizada é a toscana, tanto para os poemas (o que não é grande novidade, já que muitas obras líricas tinham sido escritas em língua vulgar) como para os comentários que, pelo seu carácter mais teórico, já inovam ao prescindir do latim.
Le Rime - "As rimas", também chamadas de "Canzoniere", onde aparecem vários textos de cariz lírico (sonetos, canções, baladas, sextinas...), onde, novamente, canta o amor idealizado (amor platonico), Beatriz, bem como a Ciência, a Filosofia, a Moral (num sentido alargado do termo);
Il Convivio - "O Convívio", de carácter filosófico, é apresentado pelo poeta como um banquete com 14 pratos (simbolizando as canções), acompanhados do pão (os comentários). Faz parte das obras que pretendem dignificar a língua vulgar, tanto mais que Dante chega aqui a citar autores tão importantes como Aristóteles ou São Tomás de Aquino;
Monarchia - "Monarquia", onde expõe as suas ideias políticas;
Outras obras, consideradas menores, como "As Epístolas", "Éclogas" e "Quaestio de aqua et terra".

Nota: Quando nos referimos a excertos da Divina Comédia, indicamos primeiro o livro (por exemplo, "Inferno"), depois o Canto, em numeração romana; e, finalmente, em numeração árabe, os versos (que aparecem numerados na maior parte das edições da obra).

Curiosidades

Em 2007, cientistas italianos da Universidade de Bologna recriaram a face de Dante. Crê-se que o modelo seja o mais próximo possível de sua verdadeira aparência. Um seu retrato, feito por Botticelli foi usado como base, junto ao crânio.

Dante, como expoente da literatura universal foi utilizado como referência cultural e didactica indispensável pela autora portuguesa Sophia de Mello Breyner Andressen, que o utilizou como personagem no livro infanto-juvenil "O Cavaleiro da Dinamarca", onde é apresentado às jovens gerações como alguém que terá tido contacto com realidades transcendentes ou que, não as tendo tido, deixou, ainda assim, uma obra por si mesma transcendente.

Reabilitação

Em julho de 2008 o Comitê Cultural de Florença revogou o exílio e concedeu a seus herdeiros, como forma de compensação a mais alta honraria da cidade, Il Fiorino D'Oro. A proposta, aprovada na Câmara de Vereadores da cidade,foi apresentada pelo vereador Enrico Bosi, do Partido Povo da Liberdade, tendo sido aprovada por apenas um voto acima do quórum mínimo, uma vez que recebeu oposição de muitos vereadores da esquerda, que a consideraram apenas uma forma de beneficiar o único herdeiro vivo de Dante, Peralvise Serego Alighieri, um produtor de vinho da região de Valpolicella.